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Como se deve rezar o Rosário
Não é o prolongamento de uma oração que agrada a Deus e lhe conquista o coração, mas o seu fervor. Uma só Ave-Maria bem rezada tem mais mérito do que cento e cinqüenta mal rezadas.
Vejamos, pois, a maneira de rezar o Rosário para agradar a Deus e nos tomarmos santos.
Em primeiro lugar, é preciso que a pessoa que reza o Rosário esteja em estado de graça, ou pelo menos na resolução de sair do seu pecado, porque a Teologia nos ensina que as boas obras e as orações feitas em pecado mortal são obras mortas, que não agradam a Deus nem podem merecer a vida eterna.
Aconselhamos o Rosário a todas as pessoas: aos justos, para que perseverem e cresçam na graça de Deus; e aos pecadores também, mas para que saiam de seus pecados.
Deus não permita que por nossos conselhos um pecador empedernido transforme o manto da proteção de Nossa Senhora em manto de condenação para velar seus crimes! Ou que transforme o Rosário, que é remédio para todos os males, num veneno mortal e funesto! A corrupção do ótimo é péssima.
Um homem depravado costumava rezar diariamente o Rosário. Certo dia, a Virgem lhe mostrou belos frutos numa bandeja cheia de imundícies. O homem teve horror àquilo, e Ela lhe disse: "É assim que tu me serves, apresentando-me belas rosas num recipiente sujo e corrompido. Achas que posso recebê-las com agrado?"
Não basta, para rezar bem, exprimir nossos pedidos pela excelente forma de oração que é o Rosário, mas é preciso aplicar nisso uma grande atenção, pois Deus ouve antes à voz do coração que à da boca.
Rezar a Deus com distrações voluntárias seria uma grande falta de respeito, que tornaria os nossos Rosários infrutíferos e nos encheria de pecados.
Como pretender que Deus nos ouça, se nós mesmos não nos ouvimos? E se enquanto invocamos a terrível Majestade que faz a todos tremerem, nos pomos voluntariamente a correr atrás de uma borboleta?
Proceder assim é afastar a bênção do Senhor e correr o risco de vê-la mudada em maldição: "Maldito o que faz a obra de Deus com negligência" (Jer 48, 10).
De fato não é possível rezar o Rosário sem nenhuma distração involuntária; é até mesmo bem difícil rezar uma única Ave-Maria sem que a imaginação sempre mutante não vos afaste em algo a atenção. Mas vós podeis rezar sem distrações voluntárias, e deveis adotar todos os meios para diminuir as involuntárias e fixar a atenção.
Para isso, colocai-vos na presença de Deus, pensando que Ele e sua santa Mãe tem os olhos postos sobre vós.
Pensai que vosso Anjo da Guarda está à vossa direita, colhendo as Ave-Marias que rezais, quando elas são bem rezadas, como se fossem rosas, para com elas tecer uma coroa para Jesus e Maria; e que, pelo contrário, o demônio está à vossa esquerda e ronda em torno de vós para devorar vossas Ave-Marias e as anotar no seu livro da morte, se elas são rezadas sem atenção, devoção e modéstia.
Sobretudo, não deixeis de fazer os oferecimentos das dezenas em honra dos mistérios, e de vos representar na imaginação a Nosso Senhor e à sua Santíssima Mãe no mistério que estais honrando.
Lê-se na vida do Beato Hermann, da Ordem premonstratense, que quando ele rezava o Rosário com atenção e devoção, meditando nos mistérios, a Santíssima Virgem lhe aparecia toda esplendorosa de luz, com uma beleza e majestade arrebatadoras.
Mas, tendo sua devoção esfriado e não rezando mais o Rosário senão às pressas e sem atenção, Ela lhe apareceu com a face enrugada, triste e desagradada.
Hermann se espantou com a mudança, e a Virgem lhe disse: "Apareço diante dos teus olhos como me encontro na tua alma, pois tu me tratas como a uma pessoa vil e desprezível. Onde está aquele tempo em que me saudavas com respeito e atenção, meditando os meus mistérios e admirando as minhas grandezas?"
Como não há oração mais meritória à alma e mais gloriosa a Jesus e a Maria do que o Rosário bem rezado, também não há nenhuma que seja mais difícil para bem rezar e na qual seja mais difícil perseverar, sobretudo por causa das distrações que vêm como que naturalmente na repetição freqüente da mesma oração.
Quando se reza o Ofício da Santíssima Virgem, ou os Sete Salmos, ou algumas outras orações, a variedade dos termos em que essas orações são concebidas detém a imaginação e recreia o espírito, dando por isso facilidade à alma para bem rezá-las.
Mas no Rosário, como há sempre os mesmos Pais-Nosso e Ave-Marias para rezar, e a mesma forma a manter, é difícil que não se acabe aborrecendo, que não se acabe adormecendo e que não se o abandone para procurar outras formas de oração mais agradáveis e menos cansativas.
Por isso, é preciso ter infinitamente mais devoção para perseverar na recitação do santo Rosário do que para qualquer outra oração, ainda mesmo os Salmos de Davi.
O que aumenta essa dificuldade é a nossa imaginação volátil e a malícia do demônio, infatigável para nos distrair e nos impedir de rezar.
Que faz esse espírito maligno enquanto estamos rezando nosso Rosário contra ele?
Antes de começar a oração, ele aumenta nosso aborrecimento, nossas distrações e nossas prostrações. Enquanto rezamos, ele nos acossa de todos os lados. E depois que tivermos rezado com muita dificuldade e distrações, elo nos sopra ao ouvido: "Nada rezaste que preste; teu terço de nada valeu; melhor farias se trabalhasses e cuidasses dos teus negócios; perdes tempo rezando tantas orações vocais sem atenção; uma meia-hora de meditação ou uma boa leitura valeriam muito mais; amanhã, quando estiveres com menos sono, rezarás com mais atenção, deixa o resto do teu Rosário para amanhã".
É assim que o demônio, com seus artifícios, freqüentemente consegue que abandonemos o Rosário, inteiro ou em parte, ou faz com o que troquemos ou o deixemos para o dia seguinte...
Não lhe deis crédito, caro devoto do Rosário, e não desanimeis, ainda que durante todo o Rosário vossa imaginação tenha estado preenchida com distrações e pensamentos extravagantes, se vós os procurastes expulsar da melhor forma possível logo quando vos destes conta deles.
Vosso Rosário é tanto melhor quanto mais meritório for; ele é tanto mais meritório quanto mais difícil for, ele é tanto mais difícil quanto menos naturalmente for agradável à alma e mais cheio for dessas miseráveis pequenas moscas e formigas que fazem a imaginação correr de um lado para o outro apesar da vontade, não dando à alma tempo para saborear o que reza e repousar em paz.
Se for preciso combater, durante o Rosário, contra as distrações, combatei valentemente de armas na mão, ou seja, prosseguindo o Rosário, ainda que sem nenhum gosto nem consolação sensível.
É um combate terrível, mas é salutar à alma fiel.
Se deixais cair as armas, quer dizer, se abandonais o Rosário, sois vencidos, e então o demônio, como vencedor, vos deixará em paz, mas no dia do Juízo vos acusará por vossa pusilanimidade e infidelidade.
"Quem é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes" (Lc 16, 10). Quem é fiel em rejeitar as menores distrações na menor parte de suas orações, será também fiel nas maiores coisas.
Coragem, pois, bom e fiel servidor de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem, que tomastes a resolução de rezar o Rosário todos os dias! Que a multidão das moscas (chamo assim as distrações que vos fazem guerra enquanto rezais) não vos faça deixar covardemente a companhia de Jesus e de Maria, na qual estais quando dizeis vosso Rosário. A partir daqui indicarei os meios para diminuir as distrações.
Invocai inicialmente o Espírito Santo para bem rezar o vosso Rosário, e colocai-vos em seguida um momento na presença de Deus.
Antes de começar cada dezena, parai um pouco para considerar o mistério que estais celebrando, e pedi sempre, pela intercessão de Maria Santíssima, uma das virtudes que mais ressaltam naquele mistério ou da qual tendes mais necessidade.
Tomai, sobretudo, cuidado com dois erros comuns, que cometem quase todos os que rezam o terço ou o Rosário:
O primeiro é não formular nenhuma intenção, de sorte que se lhe perguntais porque estão rezando, não vos saberiam responder. Tende, pois, sempre em vista, ao rezar o Rosário, alguma graça a pedir, alguma virtude a imitar ou algum pecado a evitar.
O segundo erro que se comete freqüentemente é não ter em vista, ao começar o Rosário, outra coisa senão acabá-lo o quanto antes.
É uma pena ver como a maior parte das pessoas rezam o Rosário. Rezam-no com uma precipitação espantosa, devoram até a maior parte das palavras. Não se cumprimentaria desse modo ridículo ao último dos homens e, no entanto se imagina que Jesus e Maria se sentem honrados com isso!...
O Beato Alano de la Roche e outros autores, entre os quais Belarmino, contam que um bom sacerdote aconselhou a três penitentes que tinha, e que eram três irmãs, que rezassem devotamente todos os dias o Rosário, durante um ano, para formar um belo vestido de glória para Nossa Senhora. Acrescentou que isso era um segredo que ele tinha recebido do céu.
As três irmãs o rezaram durante um ano. No dia da Purificação, à noite, quando as três estavam deitadas, a Virgem, acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, entrou no quarto delas, vestida com um traje todo resplandecente de luz, no qual estava escrito, com letras de ouro: "Ave Maria, cheia de graça".
A Rainha do Céu se aproximou do leito da mais velha das irmãs e lhe disse: "Eu te saúdo, minha filha, que tantas vezes e tão bem me saudaste. Venho agradecer-te o belo vestido que me fizeste".
As duas santas Virgens que A acompanhavam lhe agradeceram também e as três desapareceram.
Uma hora depois, a Virgem veio mais uma vez ao quarto, com as mesmas acompanhantes. Trajava um vestido verde, mas sem ouro nem luz. Aproximou-se do leito da segunda irmã e lhe agradeceu o vestido que lhe fizera.
Mas, como esta segunda irmã já tinha visto a Santíssima Virgem aparecer à mais velha com maior brilho, perguntou-Lhe o motivo: “É porque ela me fez um vestido mais bonito, rezando o Rosário melhor do que tu” - respondeu a Virgem.
Cerca de uma hora depois, Nossa Senhora apareceu uma terceira vez à mais jovem das irmãs, vestida com trapos sujos e rasgados, e disse: "Ó filha, tu assim me vestiste, Eu te agradeço por isso".
A jovem, coberta de confusão, exclamou: "Oh! Senhora, perdão por Vos ter vestido tão mal! Peço-Vos tempo para rezar melhor o Rosário e Vos preparar um vestido mais belo".
Tendo desaparecido a visão, a jovem, muito aflita, contou ao confessor o que se tinha passado. Ele exortou as três a rezarem o Rosário com mais perfeição do que antes.
Ao cabo de um ano, no mesmo dia da Purificação, a Virgem novamente lhes apareceu, vestida com um traje maravilhoso e mais uma vez acompanhada por Santa Catarina e Santa Inês, que levavam coroas, e lhes disse: "Tende certeza, filhas, do Reino dos Céus, no qual entrareis amanhã, com grande alegria", ao que as três responderam: "Nosso coração está pronto, caríssima Senhora, nosso coração está pronto".
A visão desapareceu. Na mesma noite, sentiram-se mal, mandaram procurar o confessor, receberam os últimos sacramentos e agradeceram ao confessor pela santa devoção que lhes tinha ensinado.
Depois, a Santíssima Virgem lhes apareceu, acompanhada por grande número de virgens, fez vestir as três irmãs com vestidos brancos. Depois partiram as três, enquanto os Anjos cantavam: "Vinde, esposas de Jesus Cristo, recebei as coroas que vos estão preparadas desde a eternidade".
Há muitas verdades a aprender com essa história:
1° Como é importante ter bons confessores que inspirem bons exercícios de piedade e em particular o santo Rosário;
2° Como é importante rezar o Rosário com atenção e devoção;
3° Como a Santíssima Virgem é benigna e misericordiosa para com aqueles que se arrependem do passado e se propõem a proceder melhor;
4° Como Ela é generosa para recompensar durante a vida, na hora da morte e na eternidade, os pequeno serviços que Lhe são prestados fielmente.
Acrescento que se deve rezar o Rosário com modéstia, quer dizer, tanto quanto possível de joelhos com as mãos postas, tendo o Rosário nas mãos.
Se, entretanto, se está doente, pode-se rezá-lo na cama; se em viagem, pode-se rezá-lo caminhando; se por qualquer enfermidade não se pode estar de joelhos, pode-se rezar de pé ou sentado.
Pode-se até mesmo rezar o Rosário trabalhando quando não se pode deixar o trabalho por causa dos deveres profissionais; pois o trabalho manual nem sempre é contrário à oração vocal.
Aconselho-vos a dividir o vosso Rosário em três terços, em três diferentes horas do dia; é melhor dividi-lo assim do que rezá-lo de uma só vez.
Se não tendes tempo para rezar o terço do Rosário de uma só vez, rezai uma dezena aqui, uma dezena acolá, de tal forma que, apesar das vossas ocupações e negócios, tenhais o Rosário inteiro rezado antes de vos deitardes à noite.
(São Luís Maria Grignion de Montfort. A eficácia maravilhosa do santo Rosário, Séria Cultura Religiosa n° 11, Artpress – São Paulo – 2000, Capítulo 6, p. 50-59)
[algumas fotos] Da III Quarant'ore - Mosteiro da Santa Cruz - Nova Friburgo/RJ - Ou o Santíssimo Sacramento ou a morte!
Fonte: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória/ES
Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia!
"O grande mal de nossa época é que não vamos a Jesus Cristo como a seu Salvador e a seu Deus. Abandona-se o único fundamento, a única fé, a única graça da salvação... Então o que fazer? Retornar à fonte da vida, mas não ao Jesus histórico ou ao Jesus glorificado no céu mas sim ao Jesus que está na Eucaristia. Temos que fazê-lo sair de seu esconderijo para que possa de novo colocar-se à cabeça da sociedade cristã... Que venha cada vez mais o reino da Eucaristia: Adveniat regnum tuum!"São Pedro Julião Eymard
O tema destas quarenta horas foi em atenção
as mensagens de Nossa Senhora em Fátima.
Abaixo a procissão feita por alguns fiéis às 3h da manhã.
Senhor Jesus, nós cremos firmemente e confessamos sem medo e sem temor, na Hóstia Santa vós estais presente, sois nosso Deus, nosso Redentor!
Ou a Eucaristia ou a morte!
"Seu dia não terminou ainda se você não rezou seu rosário todo", disse o Pe. Jahir Brito, FBMV
Procurando por alguns sermões no site da Familiae Beatae Mariae Virginis, encontrei aqui uma homilia do Pe. Jahir Brito na Solenidade de Nossa Senhora do Rosário. Ouvindo-o, fiquei muito feliz por ouvir as belas e sábias palavras do fundador do Mosteiro de Nossa Senhora da Fé e do Rosário. E no minuto 26:45, ouço, então, o apelo do padre aos fiéis, à rezar o Santo Rosário diariamente. Leia o pequeno trecho ou faça o download do sermão inteiro aqui:
"Ah! O grande remédio para nós e para os outros! O grande remédio para nós e para os outros: rezar o rosário inteiro! rezar o rosário inteiro! Não deixe de rezar o rosário inteiro! 'Ah, padre, eu não tenho tempo'. Tenha vergonha de dizer isso! Tenha vergonha de dizer isso, por mais trabalho que tenha. Sabe porque? Digo sempre isso: tempo, todo mundo tem igual: 24 horas por dia. E nós distribuímos nossos interesses nessas 24 horas; e aquilo que interessa menos, não dá tempo! Tempo é amor. Se amarmos verdadeiramente à nossa senhora; se amarmos verdadeiramente à nossa própria salvação; se amarmos verdadeiramente a salvação dos outros, não faltará tempo para rezar o rosário! Não faltará! Eu vos pergunto: qual é a mãe que no fim de um dia disse: 'Hoje fiquei tão cheia de trabalho que não tive tempo de dar mama ao meu filhinho'? Ela vai ficar com fome, ela vai ficar com prejuízo, ela vai ficar sem dormir, mas o menininho dela não vai ficar com fome, não é verdade? Não vai. Porque? Por que tempo é amor. Então se amarem o rosário, vão ter tempo para rezar o rosário; por mais que tenham trabalho o dia todo (...cansativo, solicitado por tanta gente), não importa! Por isso eu lhes digo: Seu dia não terminou ainda se você não rezou seu rosário todo. Se você não rezou o seu rosário todo, ainda é hoje; não é amanhã não! 'Ah, mas já passou de meia-noite': eu lhes digo: é uma vergonha que tenha passado de meia-noite sem rezar o rosário. Mas se passou de meia-noite, vai ser meia-noite e vinte minutos, meia-noite e sessenta minutos, meia-noite e cento e vinte minutos, meia noite e cento e oitenta minutos, e lá se vai. Não acabou o dia ainda não!"
Quatro razões para se rejeitar o 'novo' Rosário - Pe. Fabrice Delestre, FSSPX
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| Xilogravura do século XVI representando os 15 mistérios do Rosário |
1 – O Rosário, tal como ele foi recitado desde a época de São Domingos (entre 1170 e 1221), ou seja, desde oito séculos, deu inumeráveis provas de sua eficácia sobrenatural, tanto no plano individual (é um instrumento poderoso de santificação, graças ao qual o Céu se povoou e se povoará até o fim do mundo de inumeráveis eleitos), como no plano social e político, assegurando a vitória da Cristandade sobre os inimigos da verdadeira Fé (cátaros, muçulmanos e protestantes em particular: toda a história da Igreja desde o século XIII testemunha isto). Portanto, já que o Santo Rosário mostrou sua perfeita eficácia durante oito séculos, assegurando a salvação das almas e da Igreja militante, não há nenhuma razão para modificá-lo substancialmente. Além disto, nas últimas aparições de Fátima, reconhecidas pela Igreja, às quais o Papa (João Paulo II, n.d.t.), se refere na sua carta apostólica (Rosarium Virginis Mariae, §7), a Santíssima Virgem pede, em cada uma de suas aparições, a recitação quotidiana do Rosário tal como sempre se praticou.
2 – O Antigo Testamento contêm 150 Salmos, que formam a trama do Ofício Divino ou breviário, ao qual são obrigados à recitação diária todos os padres, em honra da Santíssima Trindade e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este Ofício Divino é concebido de tal forma que, a cada semana, o padre recita ao menos uma vez cada Salmo. O Rosário, com as suas 150 Ave Marias, recitadas em honra de Nossa Senhora, sempre foi considerado, dentro do espírito da Igreja, como algo semelhante ao Ofício Divino; por causa disto, ele foi chamado “o Saltério de Nossa Senhora”, o que tinha a vantagem de sublinhar o lugar especial e único ocupado por Nossa Senhora na devoção da Igreja, e por consequência o culto particular que se deve render à Santíssima Virgem Maria: o culto de hiperdulia.
Mesmo o Papa sublinha esta correspondência entre as 150 Ave Marias do Rosário e os 150 Salmos do Antigo Testamento (Ibid. §19). Porque então acrescentar 5 novos mistérios, fazendo assim o Rosário passar a 200 Ave Marias, o que vem a provocar confusão, e rompe a bela simetria que exprimia tão bem a verdadeira devoção da Igreja em toda a sua riqueza tão perfeitamente ordenada?
3 – Assim também, existe uma eloquente correspondência entre os quinze mistérios do Rosário e os tempos mais importantes do ano litúrgico: - Os cinco mistérios gozosos, quem têm por centro a encarnação e natividade de Nosso Senhor, fazem eco aos tempos litúrgicos do Advento e do Natal.
- Os cinco mistérios dolorosos nos fazem mergulhar no espirito do tempo da Quaresma, que é toda orientada para a paixão de Nosso Senhor e sua morte na Cruz.
- Finalmente, os cinco mistérios gloriosos lembram a nossas almas o tempo Pascal e seu espírito cheio de alegria e de esperança sobrenatural1.
No entanto, enquanto que o ano litúrgico tem por fim “fazer que o cristão
compartilhe, estação por estação e quase dia a dia, os sentimentos de Cristo em seus diferentes mistérios, fazendo assim o homem viver da vida em Deus2, o Rosário considera os principais mistérios da vida de Nosso Senhor de uma outra maneira: “Dando uma atenção bem explícita ao lugar que Nossa Senhora aí ocupa3.” Em consequência, o ano litúrgico e o Santo Rosário, complementares um do outro, têm um lugar bem definido na vida cristâ: (...) A liturgia não suprime o Rosário, que tem um caráter próprio e irredutível4.” Propor cinco novos mistérios, que giram em torno de Nosso Senhor e nos quais Maria está quase ausente5, “ a fim de dar uma consistência claramente mais cristológica ao Rosário6, leva a desnaturar este último porque não respeita a sua especificidade, e isto é muito grave. Existe aí um perigo muito real que pode conduzir a um novo desprezo do Rosário e a novos ataques contra sua utilidade na vida cristâ: se se tira do Rosário seu “caráter próprio e irredutível”, ele se tornará inútil para muitos, pois ele será considerado como uma duplicação da liturgia.
4 – Estes novos mistérios com uma “consistência cristológica” diminuem o caráter mariano do Rosário, obscurecendo com um só golpe o lugar único que ocupa Maria no plano da Redenção: o papel de mediadora universal de todas as graças, em virtude de sua Corredenção ao pé da Cruz. De fato, no texto da carta apostólica do Papa, não encontramos nem uma só vez mencionados os termos de “Maternidade Divina e Virginal”, “Imaculada Conceição”, “Corredenção”, “Mediadora Universal de todas as Graças”, que se referem aos privilégios únicos que recebeu a Santíssima Virgem, dos quais os dois primeiros são dogmas de fé definidos, um deles desde o ano 431 no Concílio de Éfeso, e o outro em 1854 pelo Papa Pio IX. Somente o privilégio da Assunção é mencionado uma só vez, no número 23 da carta apostólica.. Tem-se a clara impressão de que o Papa procura evitar o emprego de termos que desagradem aos protestantes, e que possam criar novos obstáculos ao ecumenismo conciliar, ao mesmo tempo tentando tornar aceitável a esses mesmos protestantes um Rosário revisto e corrigido que permite “aprofundar a implicação antropológica do Rosário, uma implicação mais radical do que parece à primeira vista. Quem quer que se ponha a contemplar Cristo, fazendo memória das etapas de sua vida, não pode deixar de descobrir também nele a verdade sobre o homem. É a grande afirmação do concílio Vaticano II, que frequentemente foi objeto de meu magistério, desde a encíclica Redemptor Hominis: “Na realidade, o mistério do homem só se esclarece verdadeiramente no mistério do Verbo Encarnado” (...). Pode-se assim dizer que cada mistério do Rosário, bem meditado, esclarece o mistério do homem7”. Convenhamos, numa tal perspectiva, não resta muita coisa da devoção mariana tradicional tal como a Igreja sempre compreendeu e encorajou!
A Confraria do Rosário
A Confraria do Rosário pretende responder – de acordo com a sua condição – aos pedidos da Santíssima Virgem em Fátima. Rezando afim de que o Papa consagre a Rússia ao Coração Imaculado de Maria pedindo aos bispos de todo o mundo que se unam a ele, ela não esquece o que Nossa Senhora quis nos transmitir através de irmã Lúcia, a saber, que “Deus dava os dois últimos remédios ao mundo: o santo Rosário e a devoção ao Imaculado Coração de Maria, e sendo estes os dois últimos remédios, isso significa que não haverá outros para ele¹.
Na crise sem precedentes que atravessam hoje a Igreja e o mundo, a bóia de salvação dada pelo Céu para perseverar na verdadeira fé católica e na vida cristã, é pois a devoção dos cinco primeiros sábados do mês e a meditação quotidiana do terço:
- O primeiro sábado de cada mês: trata-se, em reparação das blasfêmias contra o Imaculado Coração de Maria, de:
- Confessar-se (podendo a confissão ser feita dentro de oito dias e mesmo para além deles),
- Comungar (Na Santa Missa Tridentina) (por uma razão legítima por um padre, esta comunhão pode ter lugar no domingo a seguir),
- Meditar um terço,
- Meditar durante um quarto de hora sobre um ou sobre vários mistérios do Rosário (este exercício é distinto da meditação do terço).
Quanto a meditação do terço, queremos dar-vos agora alguns conselhos a fim de que produza o maior número de frutos possível:
- 1. O terço é mais uma meditação do que recitação da Ave-Maria:
O Rosário põe diante dos olhos 15 quadros evangélicos (os mistérios gozosos, dolorosos e gloriosos). Eles não somente resumem toda a vida cristã mas também encontramos neles a solução para todas as nossas dificuldades, por Nosso Senhor, Nossa Senhora e São José mostram-nos neles como devemos reagir em todas as circunstancias da nossa existência terrestre.
Meditar estes mistérios consiste em revivê-los com o Coração de Maria, em pedir a Nossa Senhora que nos faça penetrar a sua significação profunda, a fim de que possamos reproduzi-los na nossa própria vida.
2. O terço é uma oração de súplica
Digamos com todo o nosso coração estas Ave Marias a fim de mover à compaixão Aquela que a Igreja chama de onipotência suplicante. O terço é a oração mais eficaz depois da Santa Missa e do breviário dos padres e dos religiosos. É mais poderosa do que qualquer outra oração que possamos inventar. Quem poderia saudar a Rainha do Céu com palavras mais belas do que as empregadas pelo arcanjo Gabriel? O que é que pode com certeza tocar o Coração de Maria senão a oração que Ela própria nos deu através do Seu servidor São Domingos?
Mas não recitemos nunca as dezenas sem pedir qualquer coisa de preciso a Nossa Senhora. Sem a graça de Deus, não chegaremos nunca a seguir Nosso Senhor e Nossa Senhora no caminho do Céu, não chegaremos nunca a reunir-nos com Eles. É esta a graça de Deus que nos é preciso implorar em cada dezena a fim de obter a virtude relacionada ao mistério que meditamos. Peçamo-la para nós próprios, peçamo-la, para o nosso próximo, não esquecendo nunca que o essencial é obter a nossa santificação: “Procurai primeiro o Reino de Deus e o resto vos será dado por acréscimo” (Mt 6,33)
3. Não recitemos os nossos terços demasiado depressa:
“É um dor de alma ver como a maior parte das pessoas rezam o seu terço ou o seu rosário, diz São Luis-Maria Grignon de Montfort. Rezam-no com uma precipitação espantosa e comem até uma parte das palavras. Não se desejaria fazer um cumprimento desta ridícula maneira aos mais insignificantes dos homens, e acredita-se que Jesus e Maria serão com ele honrados! Depois disso, pode ficar-se espantado se as mais santas orações da religião cristã permanecem quase sem nenhum fruto, e se, após mil e dez mil Rosários recitados, não se é mais santo por eles? Parai, querido confrade do Rosário, com a vossa precipitação natural ao recitar o vosso Rosário. […] Uma dezena dita pausadamente ser-vos-á mais meritória do que milhares de Rosários recitados à pressa, sem refletir, nem parar” (O Segredo do Santíssimo Rosário).
4. Como tomar atenção ao mesmo tempo aos mistérios e às Ave Marias?
Sendo o Rosário essencialmente uma meditação ou contemplação, não é necessário, durante esta oração, refletir nas palavras dos Pater e Ave. Essencialmente o que é preciso é meditar ou contemplar a cena evangélica tendo bem no fundo do coração uma instante oração de pedido a fim de obter a graça de que seja Jesus Cristo aquele que nós contemplamos.
5. Uma dificuldade: as distrações.
Quando começamos bem o nosso Rosário, e em seguida o nosso espírito nos escapa contra nossa vontade, a nossa oração não perde dele todos os seus frutos. No entanto, eles teriam sido maiores se nós nos tivéssemos aplicado melhor. Afastemos pois resolutamente as distrações voluntárias que impedem o fruto da oração. Quanto às distrações involuntárias, consequência da fragilidade da humana natureza, afastemo-las docemente, pacientemente, como outras tantas moscas importunas. Elas não tiram o fruto da oração, e, se nos assediam durante todo o tempo do terço, não nos inquietemos com isso. Ofereçamos as nossas dificuldades a Nosso Senhor e a Nossa Senhora, sirvamo-nos delas para conhecermos melhor a nossa miséria, para nos humilharmos, e fiquemos em paz.
6. Rezar o terço em comum:
“As orações feitas em comum avantajam-se muito sobre as orações feitas em privado e têm um poder muito maior” diz o papa Leão XIII. Em lugar duma pobre oração que sobe para o Céu, é a forte oração de 5, 10, 20 pessoas em que o fervor de uns compensa a maior dificuldade dos outros, e em que cada um tem o benefício da oração de todos. Rezai pois o terço em família, suscitai grupos do terço ou juntai-vos aos que já existem. E pois que sois membros da Confraria do Rosário, uni os vossos terços aos dos outros membros não esquecendo nunca de rezar por eles e pelas suas intenções, assim como pelas grandes intenções da Igreja. Vós tornareis assim mais perfeita esta comunhão dos santos que vos une uns aos outros nos quatro cantos do mundo, e formareis um pequeno exército ao serviço do Imaculado Coração de Maria para avançar no dia do seu triunfo.
Os padres dominicanos.
*
I - DEVER OU REGRA DOS CONFRADES
Não existe para os confrades um dever que os obrigue sob pena de pecado. No entanto não podem gozar de todas as vantagens da confraria se não recitarem todo o Rosário em cada semana. Tal é o seu único dever. Aqueles que acidentalmente o descuidarem não deixam de pertencer à confraria, mas privam-se de preciosas vantagens.
O Confrade pode ser membro duma outra confraria (Irmandade do Santíssimo, Sagrado Coração, etc.) ou mesmo das outras associações do Rosário: Rosário Perpétuo, Rosário Vivo, Cruzada do Rosário.
O terço quotidiano e mesmo o Rosário quotidiano é o ideal para o qual se recomenda render progressivamente.
II - VANTAGENS DA CONFRARIA
1º - Proteção especial da Santíssima Virgem: são inumeráveis os testemunhos da história que nos provam as graças e os favores de toda a espécie, mesmo os milagres que os confrades obtiveram da Rainha do Santíssimo Rosário (ex. a vitória de Lepanto, em 7 de Outubro de 1571).
2º - Participação nos bens espirituais acumulados no tesauro comum por todos os confrades reunidos. Igualmente participação nos méritos da grande família dominicana acumulados desde oito séculos.
3º - Numerosas indulgências. Mais de trinta papas enriqueceram a confraria com indulgências. Exemplos de indulgências plenárias:
- No dia da admissão na confraria (mediante confissão e comunhão).
- Em 7 de Outubro (confissão, comunhão e oração pelo triunfo da Igreja).
Exemplos de indulgências parciais: por recitação do terço; todos os dias pelo fato de trazer constantemente consigo um terço "rosariado"; pela visita a um confrade doente.
Um esclarecimento a respeito dos terços bentos: qualquer padre pode benzer o seu terço utilizando a fórmula própria dos Frades Pregadores, que se encontra no ritual romano (Benedictio coronarum sacratissimi Rosarii B.M.V)., Appendix nº35).
III - GRAUS DA CONFRARIA
1º GRAU
MEDITAÇÃO DIÁRIA DOS QUINZE MISTÉRIOS DO SANTÍSSIMO ROSÁRIO
2º GRAU
MEDITAÇÃO DIÁRIA DO SANTO TERÇO
3º GRAU
MEDITAÇÃO SEMANAL DO SANTO ROSÁRIO
__________________________________________________________________
Seja um confrade do Santo Rosário!
Frades Dominicanos de Avrillé
Frades Dominicanos de Avrillé
Convento de la Haye-aux-Bonshommes
F. - 49240 Avrillé
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Correspondente
Contato: confrariadorosario@hotmail.com
Discurso do Papa Pio XII sobre o Rosário
São Domingos de Gusmão
O Rosário, segundo a etimologia própria da palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a variedade de suas cores e de seus perfumes.
Queremos que aumente a devoção ao Santo Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro da família.
Rosário dos novos esposos, que um ao lado do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre com as suas alegres previsões mas também com os seus mistérios e com as suas responsabilidades. É tão doce na alegria destes primeiros dias de intimidade total colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro sob a proteção de Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando os exemplos da mais santa das famílias!
Rosários das crianças; rosário dos pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente lhes ensinou, errando, é verdade por vezes hesitem, confundem-se; mas é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a Imagem de Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar a parte entre as recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes devem ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando presente ao pensamento: Maria.
Rosário da jovem, já grande, alegre e serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem, ainda desconhecido para ela mas conhecido por Deus, que a Providência lhe destina, e ela queria semelhante a si cristão fervoroso e generoso.
Este rosário, que ama recitar aos domingos, juntamente com as suas companheiras, devera durante a semana recitá-lo talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de trabalho no escritório ou no campo; quando tiver um momento para ir à humilde igreja mais próxima.
Rosário do jovem, aprendiz, estudante, agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente, como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar, em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e sangrando.
Rosário da mãe de família, da operária ou da camponesa; simples, sólido usado já desde muito tempo, que ela não poderá talvez pegar senão à tarde quando, bem cansada de sua jornada, encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe mais expostos a perigos da alma ou do corpo que teme tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de preocupações e de angústias ainda mais pesadas.
Rosário do pai de família, do homem trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que, grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado eloqüente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.
Rosário dos velhos; velha vovó, que faz incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a cadeira, ao lado do fogão. Velha tia, que todas as suas forças consagrou ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.
Rosário do moribundo, nas horas extremas, como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno aquele coração que cessou de bater.
Rosário, finalmente, da família inteira, recitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso; que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.
Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis mostrar, com inumeráveis graças, quanto Lhe é agradável esta oração, à qual Ela convida Sua confidente Santa Bernadette, acompanhando as ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés (1).
(1) Discurso aos esposos, 24 de novembro e 8 de outubro, 1941.
Fonte Original: Livro Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Martins, 1959.
Fonte: O Segredo do Rosário
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