PESQUISAR

Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crise. Mostrar todas as postagens

PADRE ANTÔNIO, por Gustavo Corção

Fonte: Permanência

Numa cidadezinha perdida e esquecida, lá nos confins deste tão imenso Brasil, existe uma igreja quase sem existir. Em torno, mil ou duas mil almas mais ou menos desalmadas; dentro, um velho vigário a fazer contas intermináveis, e um padre coadjutor, na sacristia, a olhar o morro, a linha férrea lá longe, o rio, talvez o céu.

Já traz cinzas na cabeça e uma curvatura nas costas, mas naquele momento o que mais lhe pesa é a solidão que cerca a velhice que se aproxima. Está ali. Não é nada. Não sente forças para fazer nada pela vila indiferente que quer viver sua vida rotineiramente encaminhada para a morte. Sente-se inútil a mais não poder. Quer que ele celebre a única missa da féria, e com uma só porta apenas entreaberta. Precaução aliás inútil porque ninguém mais aparece nas missas dos dias da semana. O povo não gostou quando o vigário tirou os santos que há mais de cem anos povoavam a velha igrejinha. Diminuiu a assistência à missa, diminuíram as confissões. A conversa com o vigário, na hora do jantar, reduz-se a monossílabos.

Padre Antônio torna a pensar nas coisas que se perderam: a água benta, a oração do terço à noite, os santinhos que dava aos moleques na rua com magnanimidade, e tudo o mais que fazia companhia, que cercava a alma da gente nas igrejinhas da roça. Por que esta devastação? O vigário não gosta de abordar o assunto. Sofre a seu modo, com a tenacidade obtusa dos animais feridos. Cerra os dentes. Não pensa. Não fala. Faz o que o bispo mandou fazer e encerra-se num mutismo quase vegetal. Às vezes parece ter gosto de transmitir seu sofrimento fazendo um outro sofrer. É seu modo de conversar, e quem paga é padre Antônio.

Um dia padre Antônio não encontrou sua velha batina e teve de pedir uma explicação a d. Ana e ao vigário. Explicaram-lhe que estava imprestável. Ganharia nova batina? Não. Clergyman também é muito caro. Padre Antônio deveria comprar na loja do João Mansur umas calças de lonita e duas camisas esporte. E é com esta roupa pobre que padre Antônio agora se debruça na janela e consulta o infinito. Pobre, pobre padre Antônio. Ele nunca foi propriamente vaidoso e preocupado com a roupa que haveria de vestir, como aconselha Nosso Senhor.

Mas essa história da batina doía-lhe ainda como se estivesse em carne viva, como se lhe tivessem arrancado a pele. E o pior é pensar que é com esta roupa por baixo, esta roupa de rua, esta roupa sem bênçãos que deve celebrar a Santa Missa. Disseram-lhe que era mais prático usar uma só alva por cima do traje esporte. E esta alva não era mais daquelas antigas, rendadas e compridas. Padre Antônio não queria as rendas para si, já que era desgracioso e escuro: queria-as para enfeitar o louvor de Deus. Mesmo porque, descontada alguma andorinha, nenhum ser vivo aparecia para assistir ao Sacrifício de nosso Salvador. Nem valia a pena bater a campainha. As novas alvas não têm rendas. São ordinárias e curtas, sim, curtas, porque o importante é aparecerem as calças para todo o mundo ver que o padre é homem, como outro homem qualquer.

Está na hora de preparar a missa da tarde, e padre Antônio sente a tristeza aumentar. Está só. Está só. Não tem com quem falar. Poderá conversar na farmácia com a turma do gamão do Frederico, mas depois a volta para a casa é ainda mais pesada. Poderá perguntar a d. Emília se está melhor do reumatismo, e a d. Maria se o marido já voltou do Rio. Mas não tem ninguém com quem possa falar, com quem possa desabafar, a quem possa explicar a desmedida tristeza de vestir por cima das calças uma alva sem rendas, e a quem possa dizer a saudade que tem da batina preta, a batina bendita em que um dia amortalhara o homem velho para viver em Cristo Nosso Senhor. E não tem ninguém a quem possa perguntar tremendo: «O que é que está acontecendo em nossa Igreja? E o Papa?» Ou então alguém, um irmão, um padre, a quem possa dizer com medida indignação: «Não pode ser! Não pode ser! As portas do inferno não prevalecerão!»

Padre Antônio olhou mais uma vez para o horizonte que a noite já escondia. O mundo começava além daquela serra... O mundo! Padre Antonio curvou a cabeça como um condenado. Estava preso! Estava preso! Abriu então as duas mãos grandes e magras que considerou com triste ternura: um dia elas tinham recebido o poder de consagrar o Pão e o Vinho, e de trazer assim ao mundo, como a Virgem Santíssima, o Corpo de Deus. Mãos grandes, mãos nervosas e escuras, mãos consagradas. Ao menos esta pele não lhe arrancam, esta marca não lhe tiram.

Num desamparo infinito padre Antônio contemplava as duas mãos frementes, tão poderosas e tão inúteis. Turvava-se o espírito, vacilava a razão e a fé. Estão ali as mãos. E o resto. E a água benta? o Latim? as coisas da Igreja? As palmas inúteis não respondiam às suas indagações, e até pareciam pedir-lhe uma resolução, uma decisão, já que a mão foi feita mais para fazer do que para pensar... O que é isto? O que é isto nas palmas das mãos? Estará chovendo? Padre Antônio, padre Antônio, o senhor está chorando. Quem foi que falou? Ninguém. Ninguém. É o próprio padre Antônio que tomou o costume de falar com o padre Antônio.

Juntam-se as mãos. E das profundezas dos abismos que todos trazemos, mesmo debaixo de uma camisa esporte, subiu um clamor de aflição: «Usquequo exaltabitur inimicus meus super me? Respice et exaudi me! Respice et exaudi me! Respice et exaudi me, Domine Deus meus...».

E então, neste momento infinito, padre Antônio teve a incomparável certeza de que não estava só

Apenas a ponta do Iceberg


Muito nos preocupamos quando as intenções acordistas da Neo-FSSPX se tornaram evidentes no início de 2012. As informações que Menzingen queria que permanecessem em segredo foram divulgadas quando vieram à luz as cartas trocadas entre o superior geral e os outros três bispos, a declaração doutrinal e outros documentos. Também houve as entrevistas de Dom Fellay, onde ele falou aquilo que agradava Roma. O fato é que, apesar de todo esforço, Dom Fellay não conseguiu o acordo prático. Pelo menos por enquanto.
Mas, de qualquer forma, a crise serviu para abrir os olhos de muita gente. Mesmo tendo fracassado a tentativa de acordo, ela foi muito reveladora. Como pode alguém perfeitamente católico sequer sonhar em fazer um acordo com os hereges modernistas? Dom Lefebvre foi mais longe do que deveria ter ido nas conversas com a Roma da década de 1980. Ele mesmo, humildemente, admitiu isto. E tanto aprendeu com seu erro que declarou diversas vezes, depois das sagrações, que jamais se poderia aceitar um acordo prático. As suas palavras, desde então e até sua morte, foram sempre no sentido de que somente a conversão de Roma poderia nos colocar em comunhão com eles novamente. A história da comissão Ecclesia Dei e de todos os peixes que ela fisgou, e que acabaram na frigideira, prova o quanto o grande arcebispo tinha razão. Então, retomemos a pergunta: depois de todas as lições aprendidas, como pode alguém ainda querer um acordo com a Roma que perdeu a Fé?
A única resposta possível é que a FSSPX está invadida por liberais. Penso de maneira semelhanteao foi expresso no Pale Ideas, que seria ingenuidade demais a nossa imaginar que o diabo e seus sequazes deixariam em paz um reduto de catolicismo, por menor que fosse. Imagine-se então uma obra do porte da FSSPX, que em todo o mundo acolhia os fiéis católicos que fugiam da anti-igreja conciliar. A FSSPX incomodava demais. Havia que destruí-la e, por que não utilizar o método que fez cair a maior parte da Igreja nas décadas precedentes, a infiltração?
A tendência liberal de Dom Fellay está muito clara em sua palavras, das quais já tivemos a oportunidade de realizar uma seleção de frases, todas elas apontando para o mesmo sentido de abandono dos posições enérgicas e protetoras de Dom Lefebvre. Vamos agora relembrar brevemente alguns escândalos recentes que demonstram o liberalismo, intencional ou induzido pelo convívio, também de outros membros da FSSPX:
O GREC (Grupo de reflexão entre católicos) foi um grupo criado no final da década de 1990 a fim de fazer a FSSPX entrar em “diálogo” com a igreja conciliar. Desde o início houve membros da FSSPX aceitando o diálogo liberal onde a doutrina não tem o lugar central que lhe cabe, e buscando conciliar a Tradição com o Vaticano II, bem ao estilo da “hermenêutica da continuidade”. Dom Williamson dedicou quatro Comentários Eleison a este grave escândalo (CE 294, CE 295, CE 299 e CE 302). As sementes do acordismo do ano de 2012 foram plantadas muito tempo antes. E este GREC, com as “bençãos” das autoridades da FSSPX, foi um cultivador muito diligente destas plantas carnívoras.
O padre Bouchacourt, superior do distrito da América do Sul, em recente entrevista a um jornal argentino, afirma, contra todo o ensinamento da Igreja, que o povo judeu não é culpado do deicídio. Até agora ele não se manifestou nem para desmentir a publicação do jornal, nem para sustentar o que teria dito. Contra Dom Williamson, todos os liberais da FSSPX se levantaram para apedrejá-lo. Agora, diante do absurdo dito pelo padre Bouchacourt, silêncio total em Menzingen.
Por tocar neste assunto, sabem quem é o tesoureiro de Dom Fellay? É Maximiliano Krah, nada menos que um sionista! As culpas que pesam sobre Dom Fellay são enormes e se acumulam mais e mais. Não tem como, a não ser por cegueira voluntária e altamente culpável, afirmar que ele é inocente da atual situação da FSSPX.
O colégio da FSSPX na Austrália promove slogans liberais, utilizando os mesmos termos que qualquer maçom usaria: liberdade de religião, liberdade de palavra, valores de abertura e tolerância! Eles não defendem somente a tolerância religiosa, o que é legitimamente católico, mas sim a liberdade religiosa, a qual é condenada pela Igreja. Quem pode esperar que a Neo-FSSPX condene o Vaticano II se ela se une a este conciliábulo na propagação dos erros liberais? Se algum sacerdote ou fiel da FSSPX não se escandaliza com isto, então já perdeu a Fé. Se se escandaliza e fica quieto, como pode ter em paz sua consciência?
No México, a FSSPX edita um Catecismo de São Pio X em que se encontra na capa um selo onde se lê “año de la fe” (ano da fé). O que quer dizer que eles estão comemorando junto com a igreja conciliar o “ano da fé” convocado por alguém que não tem a Fé, ou seja, Bento XVI. Ou será que em 2013 Ratzinger tinha a Fé que em 1993 o jornal tradicionalista italiano Si Si No No, na série “os que pensa que venceram”, afirmava que ele não tinha? Respondam pensando, por exemplo, na aberração de Assis III ou na “beatificação” de João Paulo II.
O caro leitor está cansado de tanto liberalismo? Aguenta firme que ainda tem mais.
A revista oficial da FSSPX espanhola, diante das flagrantes heresias e blasfêmias de Bergoglio, em vez lhes dar os nomes corretos, apenas diz que “Las palabras del Pontífice no concuerdan bien con la proclamación de Nuestro Señor” (As palavras do pontífices não concordam bem com a proclamação de Nosso Senhor). Incrível! O que Bergoglio diz, quando não são verdadeiras heresias, são pelo menos escândalos para a Fé e para a Moral. Doa a quem doer, esta é a verdade. Por que não dar às coisas seus verdadeiros nomes? Por que usar eufemismos? A combativa FSSPX de Dom Lefebvre se tornou a aguada neo-FSSPX de Dom Fellay, mais inofensiva que um ursinho de pelúcia. E, na análise das palavras de Bergoglio, a revista acrescenta outras frases como “frente a esta divagação e frases titubeantes”. É isso o que eles tem que dizer aos seus fiéis? É assim que eles serão prevenidos do veneno modernista?

O problema da neo-FSSPX não para no liberalismo, mas chega em alguns membros até mesmo à gnose. O dr Philippe Ploncard d’Assac escreveu um livro em que acusa autoridades da neo-FSSPX, denunciando teses gnósticas do Pe. Célier.

E por falar neste caso de gnose, há uma série de seis artigos em Non Possumus mostrando as evidências de uma infiltração gnóstica na FSSPX especialmente pelo mesmo padre Célier (parte 1,parte 2, parte 3, parte 4, parte 5 e parte 6), contra quem a ditadura de Menzingen não faz nada. A quem queira conhecer as ideias deste padre, recomendamos a leituras dos referidos artigos. Destacamos só um “pequeno detalhe” do que lemos: o padre Célier teve um livro prefaciado pelomaçom Jean Luc Maxence! E alguns inocentes úteis querem acreditar está tudo tranquilo no reino encantado de Menzingen…
Inegável, pois, é que haja uma forte infiltração liberal na FSSPX. E são estes que estão nos postos de comando, e serão estes que ascenderão cada vez devido às políticas de movimentações de Menzingen, que cada vez mais vai isolar os contrários ao superior geral e expulsar os intransigentes e integristas.
Depois vem alguns iluminados dizer com alegria: “Dom Fellay não fez nenhum acordo!” A verdade é que Dom Fellay não conseguiu fazer o acordo. Mas, somente de ter desejado fazê-lo, como ele expressou várias vezes, somente por ter buscado os favores da Roma modernista, estes já são os sintomas de uma grave crise de Fé. Pois bem, os fatos mencionados acima explicam porque tivemos toda aquela tempestade em 2012. Certamente uma crise desta profundidade não teria surgido por acaso, de uma hora para outra. O mal estava dentro do corpo já há algum tempo.
Os exemplos não são eloquentes demais para que possamos ignorá-los? Podemos nós fingir que está tudo bem com a FSSPX? Claro que não. A tentativa de acordo expressou claramente o desejo de estar em comunhão com apóstatas e inimigos da Fé Católica. Mas isto não foi senão a ponta do iceberg. Foi apenas como a febre, que é o sinal externo de uma doença que atinge o interior do corpo. Se alguém ama a obra de Dom Lefebvre, não tem o direito de se omitir. O liberalismo precisa ser expurgado, e todos nós temos obrigação de tomarmos parte neste combate.
Mas, e os bons padres que ainda estão na FSSPX? A presença de bons sacerdotes na FSSPX pode iludir algumas pessoas. Mas se a cabeça está corrompida de liberalismo, que poderão fazer os subordinados? São os superiores que fazem os inferiores, e não o contrário, como já o disse Dom Lefebvre. Se uma locomotiva descarrila, os vagões que a ela se mantêm ligados também descarrilarão. Isto é certo. Alguns antes, outros depois, mas não há dúvidas de que acabarão arrastados. Vejam a igreja conciliar. De todos os bispos conservadores, somente Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer se mantiveram firmes ao ponto de realizarem as tão necessárias consagrações episcopais de 1988. E também em Campos, depois do acordo, somente o padre Hélio teve forças para reagir e sair da Administração Apostólica. No passado estavam lado a lado com a FSSPX, combatendo o liberalismo e o modernismo. Hoje, concelebram a missa nova. E somente um padre teve forças para ser coerente com a verdade que todos eles conheciam!
Urge, pois, darmos combate a qualquer liberalismo, onde quer que ele apareça. Quanto mais aguardamos, esperando uma reação favorável de certas pessoas, mais o inimigo avança. Não adianta nos contentarmos em não sermos liberais, devemos nos esforçar para fugir de toda influência liberal e combatê-la, especialmente vinda dos superiores eclesiásticos.

COMUNICADO DOS PADRES FAURE E RIOULT

“Todo hombre que hace cualquier cosa tiene en su contra: aquellos que quisieran hacer la misma cosa, aquellos que hacen lo contrario y sobre todo el gran ejército de gente, mucho más severas, que no hacen nada” (J. Clavétie). Antes que nada, algunas informaciones para comprender que la situación continúa degradándose. En ciertos colegios, se tolera cada vez menos la crítica hacia Francisco: “hay que ver las cosas buenas…”. En la clase de doctrina, un niño interviene: “me han dicho que los obispos y los papas están cerca de los protestantes…” Respuesta de la religiosa: “está juzgando al papa, no debe hacerlo”.

Una Madre General, de paso en una de sus casas, les habla a los niños del « beato » Jose Gabriel Brochero que es un nuevo « beatificado » de Francisco (14 de septiembre de 2013). ¿Cómo le harán los niños para comprender que los “santos” de Francisco (Juan XXIII, Juan Pablo II) no son santos?

En las casas religiosas y los prioratos, se lee y se censura el correo. Ciertos superiores son cada vez más tajantes y rechazan toda discusión. Muchas personas que han podido apreciar la clara intervención del Padre Rousseau sobre la escandalosa impostura del anuncio de las canonizaciones de los mundialistas Juan XXIII y Juan Pablo II. Su indignación era legítima y normal. Pero la Casa General le hizo saber al Padre Rousseau ¡que él no debió haber actuado por pasión! Menzingen no retrocede más que en apariencia y bajo presión.

En agosto de 2012, Monseñor Fellay nombró al Padre Pierre-Marie Berthe como profesor del seminario de Flavigny. El Padre de Cacqueray se opuso a este nombramiento alegando que este cofrade tenía cualidades pero que también debilidades liberales que lo hacen inapropiado para la formación de futuros sacerdotes. ¡Se desestimaron sus objeciones! Durante un año, este profesor dispensó en el seminario una enseñanza inconveniente reportada por varios seminaristas escandalizados: debates sobre la nueva actitud a adoptar hacia los que ya hicieron acuerdo con Roma, meditaciones con base en las encíclicas de Benedicto XVI y textos del Vaticano II… Además, este profesor no dudó en tratar públicamente, frente a los seminaristas, al Padre de Cacqueray como extremista ultra-rígido. Se necesitó la presión conjunta de varios sacerdotes para que, ante el temor de un escándalo, Monseñor Fellay aceptara cambiarlo.

Ni siquiera el seminario de Ecône, a pesar de la rectitud de su director, ha escapado. El Padre Quilton es profesor de Moral: él justifica y aplica sin problemas el nuevo código. Él también fue nombrado acusador en el juicio en contra del Padre Pinaud: Él justificó el robo de la correspondencia privada realizado por el Padre Wailliez ayudado por el Padre Thouvenot. Más grave aún, en el Acta de acusación en contra del Padre Pinaud, el Padre Quilton afirmó, respecto al acuerdo con Roma: “Este peligro para la fe, aunque hubiera sido real, no permitía incitar a la rebelión”. El Padre Cadiet, declaró que Dignitatis humanae, comprendida en sus justos límites, no se opone a la Tradición… El tribunal establecido por Monseñor Fellay para juzgar al Padre Pinaud lo condenó con suspensión a divinis… El Padre Wuilloud le prohibió celebrar la Misa en privado, confesar, predicar… El juez acusa al Padre Pinaud de haberse atrevido a escribir, en su última defensa: “en razón de las numerosas concesiones que ella hizo al Concilio y a las reformas conciliares inaceptables, la Declaración doctrinal del 15 de abril constituye un peligro para la fe que legitima la revuelta, pues esta Declaración doctrinal no es un texto “minimalista”, como escribió Monseñor Fellay en el editorial del Cor Unum n° 102”.

No nos equivoquemos, la Casa general no ha cambiado, solo se adapta a las nuevas circunstancias. El neo-espíritu se extiende sin problemas. Las apariencias engañan a los ingenuos y tranquilizan a los que quieren ser tranquilizados. Ustedes comprenden entonces que es necesario pensar en el futuro. Mientras que un superior general íntegro no haga regresar a la Fraternidad a los principios de su Fundador, nosotros debemos actuar.

En consecuencia, lanzamos un llamado a los fieles: Nosotros pensamos, en 2014, establecernos en Francia de manera un poco estructurada. Ya tenemos cuatro proyectos posibles. Si ustedes tienen proyectos (Capilla, grupo motivado, jóvenes que piensen consagrarse a Dios, escuela…) no duden en hacernos parte de ellos, escribiéndonos hasta el 24 de diciembre de 2013 a Abbé Olivier Rioult – 18 avenue des Acacias – 59320 Sequedin.

En el transcurso de enero, podremos hacer un balance, visitarlos y tomar la mejor decisión. Que en estos tiempos de cobardía y apatía, la Pasión de NSJC sea nuestro consuelo y que la dulzura del Evangelio de un Dios que nos ha amado hasta el punto de dar su vida por nosotros y hacerse alimento en nuestro exilio, nos ayude a servir a Dios con celo y gratitud.
Buen adviento y Santa Navidad.

Los Padres J.M. Faure y O. Rioult
Fonte: NON POSSUMUS

"Não é uma Missa especificamente católica", Dom Antonio de Castro Mayer

Não é uma Missa especificamente católica
Dom Antônio de Castro Mayer
13 de janeiro de 1985

 
Pela Fé

Começo de Ano é tempo de bons propósitos. Olha-se para trás, e percebem-se salientes os defeitos e más ações, avolumadas no decurso do ano anterior. Sobretudo os maus hábitos, adquiridos ou consolidados.

Sob o ponto de vista da Fé - o mais importante, porque nos relaciona com Deus e condiciona nosso destino eterno - o ano findo registrou um profundo abalo: - Dogmas, fixados já em definições conciliares, foram simplesmente afastados, ou melhor, negados, na orientação oficial, dada aos fiéis. - "Fora da Igreja não há salvação", afirmou o IV Concílio de Latrão, o de Florença e vários Papas; - "O Espírito Santo serve-se também de outras crenças para encaminhar as almas ao Céu" - ensina, em sentido contrário, o Concílio Vaticano II. - E o grande mestre, como tal considerado na Igreja instalada, é o Vaticano II. Não se enganaria quem disse que, na igreja nova, com o Vaticano II começou ou recomeçou a Igreja de Cristo.

Em tais condições, que antídoto proporcionar aos fiéis contra a heresia continuamente destilada pelo concílio joaneo-pauliano? - É preciso verificar qual a alavanca de que se servem os fautores do Vaticano II, para incessantemente manter presente, atuando sobre os fiéis o espírito novo do Concílio. - Conhecida a alavanca, opõe-se-lhe energia neutralizante.

Ora, a alavanca do Concílio é o "Novus Ordo Missae" de Bugnini-Paulo VI. A base, com efeito, dessa nova Missa solapa a estrutura da própria Igreja. Pois, desconhece a distinção ontológica entre clérigos e leigos. Na nova Missa, todos, padres e leigos, são igualmente sacerdotes, operando conjuntamente o Sacrifício da Missa. É, aliás para isso que se congregam. Leia-se o nº 7 da "Institutio" que precede e explica o Novus Ordo, e se encontra no Missal de Paulo VI. Por isso mesmo, a missa de Paulo VI serve também para os Protestantes. Não é uma missa especificamente católica.

E chegamos ao antídoto contra a heresia que deturpa e elimina a Fé Católica - manter estrita fidelidade à Missa chamada de S. Pio V, e fazer dela a característica do verdadeiro católico.

(Cf. Monitor Campista - 13.01.85)

"Eu conservo a Missa Tradicional", Reverendíssimo Pe. Calmel, OP

Eu conservo a Missa Tradicional
Declaração do Reverendíssimo Pe. Calmel, OP
 

Eu conservo a MISSA TRADICIONAL, aquela que foi codificada, não fabricada, por São Pio V. no século XVI, conforme um costume multissecular. Eu recuso, portanto, o ORDO MISSAE de Paulo VI.

 Por quê? Porque na realidade, este Ordo Missae não existe. O que existe é uma Revolução litúrgica universal e permanente, patrocinada ou desejada pelo Papa atual, e que se reveste, momentaneamente, da máscara de Ordo Missae de 3 de abril de 1969. É direito de todo e qualquer padre recusar-se a vestir a máscara desta Revolução litúrgica. Julgo ser meu dever de padre recusar celebrar a Missa num rito equívoco.

 Se aceitarmos este rito, que favorece a confusão entre a Missa católica e a Ceia protestante — como o dizem de maneira equivalente dois cardeais e como o demonstram sólidas análises teológicas — então cairemos sem tardar de uma Missa ambivalente (como de fato o reconhece um pastor protestante) numa missa totalmente herética e, portanto, nula. Iniciada pelo Papa, depois abandonada por ele às igrejas nacionais, a reforma revolucionária da Missa seguirá sua marcha acelerada para o precipício. Como aceitar ser cúmplice?

Perguntar-me-iam: Mantendo a Missa de sempre, em oposição a todos e contra todos, o senhor refletiu a que se expõe? Sim. Eu me exponho, se assim posso dizer, a perseverar no caminho da fidelidade a meu sacerdócio, e, portanto, prestar ao Sumo Sacerdote, nosso Supremo Juiz, o humilde testemunho de meu oficio de padre. Exponho-me a dar segurança aos fiéis desamparados, tentados de cepticismo ou de desespero. De fato, todo e qualquer padre que conserve o rito da Missa codificado por São Pio V, o grande Papa dominicano da Contra-reforma, permitirá aos fiéis participar do Santo Sacrifício sem equívoco possível; comungar, sem risco de ser enganado, o Verbo de Deus Encarnado e imolado, tornado realmente presente sob as sagradas espécies. Aliás, o padre que se submete ao novo rito, inteiramente forjado por Paulo VI, colabora, de sua parte, para instaurar progressivamente urna Missa falsa, em que a presença de Cristo já não será real, mas transformada num memorial vazio; e por isso mesmo o Sacrifício da Cruz já não será real e sacramentalmente oferecido a Deus; enfim, a comunhão não passará de uma ceia religiosa em que se comerá um pouco de pão e se beberá um pouco de vinho; nada mais do que isso; como entre os protestantes.

Não consentir em colaborar para a instauração revolucionária de uma missa equívoca, orientada para a destruição da Missa, será entregar-se a certas desventuras temporais, e certas desgraças neste mundo? O Senhor o sabe, e Sua graça basta. Na verdade, a graça do Coração de Jesus, que chega até nós pelo Santo Sacrifício e pelos Sacramentos, sempre é suficiente. É por isso que Nosso Senhor nos diz tão tranqüilamente: "Aquele que perder a sua vida neste mundo por minha causa, salva-la-á na vida eterna”.

Reconheço sem nenhuma hesitação a autoridade do Santo Padre. Afirmo, no entanto, que qualquer Papa, no exercício de sua autoridade, pode cometer abusos de autoridade. Sustento que Paulo VI comete um abuso de autoridade de gravidade excepcional quando constrói um rito novo da Missa baseado numa definição de Missa que deixou de ser católica. “A Missa”, escreve ele em seu Ordo Missae, “é a reunião do povo de Deus, presidida por um sacerdote, para celebrar o memorial do Senhor”. Esta definição insidiosa omite propositadamente aquilo que faz católica a Missa católica, sempre irredutível à ceia protestante. Porque na Missa católica não se trata de um memorial qualquer, o memorial é de tal natureza, que contém realmente o Sacrifício da Cruz, porque o Corpo e o Sangue de Cristo se tornam realmente presentes por virtude da dupla consagração. Isto aparece, de modo a não permitir engano, no rito codificado por São Pio V; mas aparece flutuante e equívoco no rito fabricado por Paulo VI.

Da mesma maneira, na Missa católica o padre não exerce uma simples presidência; marcado com um caráter divino que o põe à parte por toda a eternidade, ele é o ministro de Cristo que, por si mesmo, realiza a Missa; é inadmissível que o padre seja assemelhado a um pastor qualquer, delegado dos fiéis para liderar sua assembléia. O que é perfeitamente evidente no rito da Missa ordenado por São Pio V torna-se dissimulado, senão escamoteado, no novo rito.

Portanto, não só a simples honestidade mas infinitamente mais: a honra sacerdotal, exigem de mim não ter a impudência de traficar a Missa católica, recebida no dia de minha ordenação. E porque se trata de ser leal, e principalmente em matéria de gravidade divina, não há autoridade no mundo, ainda que seja a autoridade pontifícia, que mo possa impedir.

Outrossim, a primeira prova de fidelidade e de amor que o padre deve dar a Deus e aos homens é guardar intacto o depósito infinitamente precioso que lhe foi confiado quando o bispo lhe impôs as mãos. É primeiramente sobre esta prova de fidelidade e de amor que serei julgado pelo Supremo Juiz.

Espero, com toda a confiança, da Virgem Maria, Mãe do Sumo Sacerdote, que me conceda permanecer fiel até à morte à Missa católica, verdadeira e sem equívoco.

Fonte: Capela Nossa Senhora das Alegrias Vitórias/ES

O que deve pensar um católico sobre o Concílio Vaticano II?


 O Concílio Vaticano II foi uma reunião dos dois mil e quinhentos bispos de todo o mundo durante quatro sessões, desde outubro de 1962 a dezembro de 1965. O Papa João XXIII, em sua alocução de abertura ao concílio (11.10.62) declarou que sua finalidade era que a fé católica se conservasse e ensinasse, mas que sem recorrer a condenações, senão fazendo um chamado a todos os povos. O Papa Paulo VI concorda com seu predecessor: o Concílio Vaticano II “foi um acontecimento importantíssimo porque (...) antes de tudo buscou as necessidades pastorais e, alimentando-se na chama da caridade, fez um grande esforço para chegar não somente aos cristãos ainda separados da comunhão com a Santa Sé, senão também a toda família humana” (breve de clausura, 8.12.65).


 Os ensinamentos do Concílio e sua interpretação por Roma
 Com tais idéias, não é de estranhar que encontremos o ensinamento católico apresentado de forma débil (sem definições nem condenações), confusa (sem terminologia técnica nem escolástica) e unilateral (para atrair aos não católicos). Todo esse ensinamento vago e ambíguo, que já é liberal em seu método, seria interpretado em seu verdadeiro sentido liberal depois do Concílio.
 Vejamos alguns exemplos de como interpreta Roma (20) os ensinamentos conciliares.
 a)      Sacrosantum Concilium: deve insistir-se na liturgia da palavra (n.9), nos aspectos da Missa como banquete (n.10), na participação ativa do povo (nn.11 e 14), e portanto na língua vernácula (nn. 36 e 54); o resultado é a Nova Missa (cfr. C5).
b)      Unitatis Redintegratio: os católicos devem orar com os protestantes (nn. 4 e 8) o resultado é a hospitalidade eucarística. (cfr. C8)
c)       Sacrosanctum Concilium: devem revisar-se os ritos e fórmulas de penitência (n.72), e a Extrema Unção deve converter-se em uma Unção de Enfermos (nn. 73 e 75); o resultado são a confissão cara a cara e as absolvições gerais, e no sacramento da Extrema Unção uma nova matéria, uma nova forma e um novo sujeito (os enfermos que não estão em perigo de morte) (21)
d)      Lumen Gentium: a Igreja de Cristo subsiste em (não é) a Igreja Católica (n.8); o resultado é que também se encontra nos “irmãos separados” (Ut unum sint, n. 11) (22).
e)      Unitatis Redintegratio: A Igreja de Cristo tem irmãos separados em “Igrejas” [sic] separadas (n.3), que devem ser como irmãs (n.14); e portanto não há necessidade, por exemplo, de converter aos ortodoxos (23).
f)       Optatam Totius: os seminaristas devem conhecer a filosofia moderna e o progresso da ciência (n.15), a psicologia e a sociologia (n.20); o resultado é que se fomenta o estudo em universidades seculares, mas não o do tomismo, e aparecem espiritualidades abertas, moralidade subjetiva, etc.
g)      Gaudium et Spes: se identifica o matrimônio com o “amor conjugal” (nn. 48 e 50), a Igreja renuncia a todos os privilégios que lhe outorgava o Estado (n.76), e deseja uma autoridade mundial (n.82); o resultado é respectivamente, o fiasco das nulidades matrimoniais (cfr.C8), que a religião católica deixa de ser religião de Estado em todo o mundo, e que se presta um pleno apoio a Organização das Nações Unidas.
O mesmo esquema poderíamos repetir com todas as inovações aprovadas.
Os erros doutrinais do Concílio
O que é ainda mais grave: o Concílio foi sequestrado por elementos liberais da Igreja, que desde o princípio conseguiram o rechaço dos esquemas preparatórios pré-conciliares confeccionados para sua discussão, e os substituíram por outros esquemas progressistas redigidos por seus próprios “experts”. (Os liberais também conseguiram introduzir seus membros nas comissões). Os novos esquemas, aprovados como decretos, constituições e declarações do Concílio, continham, mais ou menos, explicitamente, erros doutrinais pelos quais os liberais haviam sido condenados no passado.
Tomemos como exemplos as seguintes passagens do Concílio e comparemo-las com a doutrina católica:
 a)      Gaudium et Spes: o homem é “a única criatura terrestre a que Deus amou por si mesmo” (n.24), idéia oposta a “tudo fez Javé para seu fim” (Prov. 16, 4); “todos os bens da terra devem ordenar-se em função do homem” (n.12), sem mencionar que a finalidade é servir-lhe de ajuda para salvar sua alma; “o Filho de Deus com sua encarnação se uniu em certo modo com todo homem” (n.22), quando o Concílio de Éfeso fala de que Deus assumiu uma natureza humana individual (Denz. 114); “a natureza humana (...) foi elevada também em nós a dignidade sem igual” (n.22), invés de “pouco menor que os anjos os fizeste” (Sl. 8,6); fala da “excelsa dignidade da pessoa humana” (n.26), que só existe em quem vive honestamente (Ap. 3, 4); e afirma “seus direitos e deveres universais e invioláveis” (n.26), quando a quem desperdiçasse seus talentos lhe seriam tirados (Lc 19, 24).
 b)      Dignitatis Humanae: “Este Concílio Vaticano declara que a pessoa humana tem direito a liberdade religiosa. Esta liberdade consiste em que todos os homens estejam imunes de coação (...) de qualquer potestade humana, e isto de tal maneira, que em matéria religiosa nem se obrigue a ninguém a fazer contra sua consciência nem se lhe impeça que atue conforme ela (...) dentro dos limites devidos (...) Este direito da pessoa humana a liberdade religiosa deve ser reconhecido no ordenamento jurídico da sociedade, de forma que chegue a converter-se em um direito civil” (n.2); porém, a doutrina católica condena as seguintes proposições: “a liberdade de consciência e de cultos é um direito livre de cada homem, que deve ser proclamado e garantido legalmente em todo Estado bem constituído (...) o melhor governo é aquele no qual não se reconhece o poder político a obrigação de reprimir com sanções peais aos violadores da religião católica, salvo quando a tranqüilidade pública assim o exija” (Pio IX, Quanta Cura, n.3).
 c)       Unitatis Redintegratio: “o espírito de Cristo não recusou servir-se delas [das igrejas e comunidades separadas] como de meio de salvação” (n.3), contra P2.
 d)      Ad Gentes: “promova-se a ação ecumênica de forma que (...) os católicos colaborem fraternalmente com os irmãos separados (...) na comum profissão possível da Fé em Deus e em Jesus Cristo diante das nações” (n.15), contra P7.
 e)      Nostra Aetate: “A igreja Católica não rechaça nada do que nestas religiões [não cristãs] haja de santo e verdadeiro. Considera com sincero respeito os modos de obrar e de viver” (n.2), enquanto que as Sagradas Escrituras dizem que “todos os deuses dos povos são demônios” Sl. 95, 5) e “não aprenderás a imitar as abominações daquelas nações” (Deut. 18, 9).
 f)       Lumen Gentium: “a ordem dos bispos (...) junto com sua cabeça, o Romano Pontífice, e nunca sem esta cabeça, é também sujeito da suprema e plena potestade sobre a universal Igreja” (n.22), contra P4; e “a consagração episcopal, junto com o ofício de santificar, confere também o ofício de ensinar e reger” (n.21), contra a doutrina da Igreja segundo o qual a “dignidade episcopal depende imediatamente de Deus em quanto ao poder de ordem, e da Sede Apostólica em quanto ao poder de jurisdição” (Pio VI, Deessemus Nos). «la dignidad episcopal depende inmediatamente de Dios en cuanto al poder de orden, y de la Sede Apostólica en cuanto al poder de jurisdicción» (Pío VI, DeessemusNos).

O Concílio mesmo anima as tendências liberais (e seu impulso se converterá na política vaticana pós-conciliar) e se separa do ensinamento católico tradicional. Mas não tem autoridade para nenhuma das duas coisas (P5 e P6). Nossa posição deve ser: “nos negamos e temos negado sempre a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram. 24
E em torno dessas tendências neomodernistas gira todo o Concílio. 25
Foi infalível o Concílio Vaticano II?
Não por razão do magistério extraordinário, posto que rejeitou definir. O mesmo Papa Paulo VI, em audiência de 12.1.66, disse que “havia evitado proclamar de forma extraordinária dogmas dotadas de nota de infalibilidade” 26.
Nem por razão do magistério universal ordinário, porque este consiste na maravilhosa uniformidade dos ensinamentos dos bispos dispersos por todo o mundo (e não quando estão reunidos, em que possam ser objeto de grupos de pressão) 27 e não é um poder para definir, senão para ratificar o que sempre se creu. A universalidade em questão não é somente de lugar (todos os bispos) senão também de tempo (sempre): cfr. Vaticano I se P6.
Nem por razão do magistério simplesmente autêntico 28, porque o objeto de todo magistério é o depósito da fé, que deve ser santamente custodiado e fielmente exposto (Vaticano I, Denz, 1836), e não a adoção como doutrina católica de “os melhores valores de dois séculos de ‘cultura liberal’”, ainda que tenham sido “purificados” (Card. Ratzinger, Gesú, Nov. 1984, pág. 72; cfr. Gaudium et Spes, nn. 11 e 44).
E assim, este Concílio foi “ecumênico” mais no sentido moderno de apelar ao sentimento religioso de todos os povos, que no sentido tradicional de representar a toda a Igreja docente.
20. Outra história é como se interpretam as diretrizes nas paróquias.
21. Afeta tudo isto “a substância dos sacramentos” sobre a qual a Igreja não tem poder (cfr. Pio XII em P5)?
22. Ut unum sint é a encíclica de João Paulo II sobre o ecumenismo (25.5.95).
23. Cfr. A comissão Internacional Conjunta para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e a Igreja [sic] Ortodoxa, em Balamand (Líbano), 17/24.6.93
24. Declaração de 21.11.74, cfr. Apêndice I.
25. “O Papa João Paulo II faz não por certo da Sagrada Escritura, senão do acontecimento de Assis, o ‘schibbolet’ [sinal, cfr. Juec. 12, 5] da correta ‘compreensão da correta ‘compreensão do Concílio’”, Johannes Dörmann, O itinerário teológica de João Paulo II, Fundação São Pio X, Buenos Aires 1994, cap. II, pág. 48.
26 Cfr. la declaración de la Comisión Teológica del 6.3.64, repetida por el Secretario General del Concilio a 16.11.64: “dada o costume conciliar e o propósito pastoral do presente Concílio, este Sagrado Sínodo só define as matérias de fé e moral como obrigatórias na Igreja quando o mesmo declare abertamente”. Nunca o fez.
27 Église et Contre-Église au Concile Vatican II, Courrier de Rome, 1996, pág. 255.
28 Ibid., pág. 287.

29 Acta Apostolicae Sedis (LXX), págs. 920 e ss.

Tradução: Capela Nossa Senhora das Alegrias - Vitória/ES
Observações à Tradução: capela@nossasenhoradasalegrias.com.br
Fonte: Retirado do Breviário sobre a Fraternidade São Pio X

Gustavo Corção: "Levaram a fúria de AGRADAR AO MUNDO..."

“Os católicos, em todas as épocas foram sujeitos aos pecados de todos os matizes, mas nunca pecaram, como hoje, de um modo tão humilhantemente burro. Tudo isto porque abriram portas e janelas quando deviam fechá-las: isto é, quando era evidente que o melhor serviço que a Igreja podia prestar a um mundo enlouquecido era a defesa de sua virgindade. Apregoaram admiração e até agradecimentos, SINCEROS AGRADECIMENTOS, quando deviam clamar sem cessar que o homem é homem, e Deus é Deus. Todas as baixezas e tolices foram praticadas em nome de ecumenismos, diálogos e outros apelidos da prostituição. Levaram a fúria de AGRADAR AO MUNDO até a infinita soberba de DESPREZAR A DEUS.”
Gustavo Corção

"Nós não poderemos colaborar" - Monsenhor Lefebvre


"Resumi ao cardeal Ratzinger em algumas palavras: que mesmo se os senhores nos concederem um bispo, mesmo se os senhores nos concederem uma certa autonomia em relação aos bispos; mesmo se os senhores nos concederem toda a liturgia de 1962; se os senhores nos concederem de continuar o seminário da Fraternidade como fazemos atualmente, nós não poderemos colaborar, é impossível, impossível...

Porque nós trabalhamos em uma direção diametralmente oposta. 

Os senhores, os senhores trabalham para a descristianização da sociedade, da pessoa humana e da Igreja. E nós, nós trabalhamos à cristianização. Não podemos estar de acordo. 

Roma perdeu a fé, meus caros amigos. Roma está na apostasia...Não é um modo de dizer, não são palavras ao vento, é a verdade. Roma está na apostasia. Não podemos confiar mais nestas pessoas lá, eles deixaram a Igreja, deixaram a Igreja, deixam a Igreja. É claro, claro, claro..."

Fonte: Annales Historiæ

“Momento Delicado”, por Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’ana, FBMV

Desde o Capítulo de julho de 2012 um princípio contraditório se introduziu no seio da FSSPX: pode-se conservar e transmitir a fé na sua integridade, ao mesmo tempo se submetendo à Roma conciliar. A palavra mágica que fascina e turva a realidade da armadilha é “garantias”: Roma dá garantias, a Tradição Católica se mantêm e se desenvolve, Roma continua como ela é[1].
Mas se é assim, para que esse tão falado e ocultado “preâmbulo doutrinal”? Se a Roma conciliar continua como ela é, então cada um com a sua doutrina, as garantias resolvem tudo. E, no entanto, nós sabemos a que excessos se chegou com a declaração doutrinal de abril de 2012. A “compreensão comum da fé”[2], que só se resolvia pela troca constante de óculos, é uma pedra de escândalo que fez ruir  o edifício de confiabilidade das autoridades da FSSPX.
Além disso, termos como “acordo”, “reconhecimento” ou “normalização canônica” não nos devem fazer esquecer de que se trata de uma submissão à autoridade. Não são duas potências que realizam um acordo diplomático onde cada uma das potências assume direitos e deveres conservando integralmente sua soberania. Trata-se aqui de uma congregação religiosa frente ao poder supremo da Igreja. Trata-se do Vigário de Jesus Cristo diante de seus súditos. São os súditos que julgarão do cumprimento ou não das garantias?[3]
Esta novidade é uma bomba-relógio que desarmará a pequena cristandade resistente, tornando-a vulnerável a outras bombas bem mais terríveis, as do Vaticano II. Por causa de sua importância estratégica, ela é guardada com grande zelo por todos aqueles que desejam a desastrosa submissão a um pontífice que está a léguas de ser plenamente católico[4]. As circunstâncias adversas podem forçá-los a tudo, contanto que não se renuncie à conquista sutilmente subversiva do Capítulo de julho.
A recente declaração de 27 de junho último é um exemplo representativo desses recuos estratégicos que podem predominar em certas circunstâncias[5]. O texto contêm muitas considerações pertinentes a respeito do Vaticano II e da crise na Igreja, consequência deste, retomando uma linguagem da qual estávamos um tanto desabituados, em se tratando de pronunciamentos oficiais da FSSPX. Mas eis que, chegando ao ponto 11, lemos isto:
“Este amor pela Igreja explica a regra que Dom Lefebvre sempre observou: seguir a Providência em todo momento, sem jamais pretender antecipá-la. Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem”.
Sim, como bem observou D. Williamson: “Tenha cuidado. Como diziam os latinos, “o veneno está na cauda”.” A sutilidade foi intensificada, junto com uma preparação doutrinária bem cuidada[6], mas continuamos no atoleiro. Ao invés da simplicidade divina da conversão, base necessária para a confiança na autoridade, e que conduz naturalmente à obediência, temos a alternativa de “um começo de restabelecimento da ordem”, por meio de um reconhecimento explícito do direito de professar integralmente a fé e rechaçar os erros contrários, junto com o direito e o dever de se opor publicamente aos erros e a seus fautores, seja quem for.
Muitas palavras que transmitem uma segurança que só é aparente. Tudo depende do termo “reconhecimento”. Na verdade, têm-se a jurisdição de suplência, em virtude do estado de necessidade que acabrunha a Santa Igreja de Deus desde que suas autoridades se engolfaram nos erros modernistas. Se se troca esta pelo reconhecimento da Roma conciliar, supõe-se o desaparecimento do motivo que nos dava a mesma. Mas o estado de necessidade só pode desaparecer, no mínimo, pela conversão explícita do Sumo Pontífice à integralidade do catolicismo, e neste caso as coisas se passariam facilmente, em toda confiança, e seriam os modernistas que pediriam garantias. E este papa católico, é claro, não as concederia.
Mas eles querem garantias de um papa modernista, servo da Roma conciliar, querem garantias de se opor publicamente aos erros e a seus autores, seja quem for. Então querem que o papa lhes conceda o direito de se opor publicamente aos erros do próprio papa?  Seria a normalização canônica mais ridícula da história da Igreja.
O mais triste é que todas essas tergiversações, toda essa ambiguidade compulsiva, tudo isso concorre para prolongar a sedação de muitos descontentes que, há mais de um ano, parecem tentar encontrar algum consolo repetindo a sentença apaziguadora: “Não houve acordo”. Mas como ela não é suficiente, uma declaração como esta poderia fornecer como um complemento necessário: “Finalmente, nada mudou, tudo está como antes”.  E então poderia advir um coma profundo.
É nesse momento que devemos recordar as palavras do nosso primeiro papa: “Sêde sóbrios e vigiai (…) resisti-lhe, firmes na fé”, a fé viva e inabalável que afina o discernimento e inspira a ação.
Discernir: primeiro veio o reconhecimento da Missa de sempre. E, ao mesmo tempo, sua limitação e rebaixamento. Depois, o levantamento das excomunhões, que não foi a retirada do decreto, “ato de misericórdia” das autoridades romanas, e os que queriam justiça acabaram agradecendo e cantando um Te Deum. Não seria agora o caso de uma FSSPX reconhecida e limitada a uma reserva “sui generis”, à espera de uma solução “clarificadora”? Em todos estes degraus de descida se discerne a marca da contradição, a contradição que está no código genético de todo liberal.
E uma vez percebido o logro, pelo amor de Deus, que não se espere chegar até o fundo do poço. Numerosa ou não, a Resistência tem as bênçãos do Deus da Verdade. Os que estão organizados, estimulem os que querem se organizar e ajudem os que estão se organizando, e todos, particularmente os que são sacerdotes, busquem na confissão da Fé a graça de agir exatamente conforme os desígnios da Providência.
Ir. Joaquim Daniel Maria de Sant’ana, FBMV.

[1] Mons. De Galarreta, o antigo resistente, entrevistado na Polônia (abril de 2013), declarou: “Claro que o melhor seria que Roma renunciasse aos erros conciliares, regressasse à Tradição e unicamente depois, sobre esta base, a Fraternidade obtivesse automaticamente um status canônico na Igreja. Apesar disto, a realidade nos leva a não fazer depender um eventual acordo de uma grande autocrítica de Roma, mas de uma atribuição de garantias reais pelas quais Roma, tal como ela é, permita à Fraternidade permanecer como ela é(…)”
[2] Pe. Pfluger, em entrevista a Kirkliche Umschau.
[3] O próprio  Capítulo de julho responde que não, ao estabelecer entre as condições apenas “desejáveis”, a de possuir tribunais, e só de 1ª instância. Uma vez que se quer o acordo, é inevitável…
[4] O que vai diretamente de encontro à exortação de D. Marcel Lefebvre aos 4 bispos sagrados em 1988.
[5] Em um artigo do ano passado, dizíamos: “Esta (as autoridades da FSSPX), segundo toda a probabilidade, saberá tirar proveito dos resultados do Capítulo, com movimentos calculados e alternados de recuo tático para retomar credibilidade, seguidos de uma nova ofensiva formadora de opinião”.
[6] Onde certamente participaram as cabeças que ainda pensam bem na Fraternidade, como Mons. Tissier e o pe. de Cacqueray.  Às vezes a boa fé da boa gente faz um grande mal…

COMENTÁRIOS ELEISON CCCXIII (13 de julho de 2013)

 AVANÇOS DA RESISTÊNCIA

      A celebração do Jubileu de Prata nos EUA das consagrações episcopais de 1988 foi um grande sucesso. Uma dúzia de sacerdotes e um bispo celebraram duas missas pontificais nos dias 29 e 30 de junho no jardim da reitoria do Padre Ronald Ringrose em Viena, Virgínia, com cerca de 250 a 300 fiéis presentes em cada Missa. Liturgicamente as cerimônias podem ter deixado um pouco a desejar, pois nenhuma paróquia tem os recursos de um seminário em pleno funcionamento. No entanto, muito mais importante é que o humor das pessoas estava tranquilo, sem amargura ou raiva aparente, apenas um entendimento claro de que algo está seriamente errado com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X, e que para manter a fé eles devem fazer algo sobre isso. Muitos vieram de longas distâncias para participar, até mesmo do exterior.
      Um dia antes, o padre Ringrose organizou um dia inteiro de reuniões dentro de sua casa paroquial para a dúzia de sacerdotes provenientes do Brasil, Canadá, Colômbia, Inglaterra, França, México e Estados Unidos. Nenhuma organização extra foi formada, nem qualquer outro mecanismo administrativo foi colocado em prática, mas outra Declaração chegou, concluindo com uma longa citação do Arcebispo Lefebvre sobre a reconstrução da Cristandade da base para o alto. O humor dos sacerdotes estava como o das pessoas, tranquilo e resoluto, com uma unidade de propósito na simples determinação de resgatar o que podem daquilo que a liderança da Fraternidade está traindo agora.
      Traindo? Mas não foi em 27 de junho que os três outros bispos da FSSPX, Tissier, Fellay e de Galarreta, também emitiram uma Declaração que parecia em grande parte reverter àquilo que a FSSPX sempre representou? Tenha cuidado. Como diziam os latinos, “o veneno está na cauda”. O 11º dos 12 parágrafos declara que os três bispos têm a intenção de seguir a Providência “ou quando Roma retornar à Tradição... ou quando ela reconhecer explicitamente o direito de professar integralmente a fé e rejeitar os erros que se opõem a ela.”
      Agora, o Padre Ringrose foi por cerca de 30 anos um companheiro de armas para a FSSPX nos EUA, mas ele não a está mais fazendo companhia neste caminho novo e suicida. Eis o que ele escreveu em seu boletim paroquial sobre o estado de espírito expresso neste 11º parágrafo:
      “Assim, mesmo que Roma permaneça modernista, leva-nos de qualquer maneira. Estaremos satisfeitos em ser apenas mais um do panteão Conciliar, junto com os hereges, ecumaníacos, panteístas, ou qualquer outra coisa que esteja lá. A Declaração soa como se tivesse havido uma mudança de volta para o que a FSSPX sempre representou, mas a porta para um acordo (entre a FSSPX e Roma) permanece aberta. Nada mudou realmente. Apenas parece diferente. O conteúdo da lata permanece o mesmo. A etiqueta do lado de fora apenas parece um pouco mais com o Arcebispo Lefebvre”.
      E as pessoas parecem estar votando com seus pés. Consta que havia apenas de 200 a 300 pessoas que participaram da celebração em pequena escala do Jubileu de Prata da própria Fraternidade em Ecône, e quase metade das cadeiras estavam vazias nas ordenações sacerdotais anuais de Ecône. Certamente parece que a traição está tornando a Fraternidade cada vez mais fraca enquanto, na medida em que sacerdotes e fiéis vão acordando para o que está acontecendo, a Resistência vai ficando cada vez mais forte.
      Kyrie Eleison.

O Concílio Vaticano II em perguntas e respostas!

 Quando aconteceu o Concílio Vaticano II?

O Vaticano II foi aberto pelo Papa João XXIII em 11 de outubro de 1962. João XXIII morreu no ano seguinte; mas seu sucessor, Paulo VI, continuou o Concílio e encerrou-o em 8 de dezembro de 1965.

O Concílio durou mais de três anos ininterruptos?


O Concílio Vaticano II compreendeu quatro sessões de menos de três meses, em cujo intervalo os bispos retornavam às suas dioceses. A primeira sessão (11 de outubro a 8 de dezembro de 1962) – a única que se deu no pontificado de João XXIII – não promulgou nenhum documento: dedicaram-se, sobretudo, a descartar o trabalho da Comissão Preparatória.

Qual é o lugar do Vaticano II entre os demais concílios?

O Vaticano II foi o 21° Concílio Ecumênico. Foi, quanto ao número de participantes, o mais importante de toda a História: dois mil bispos ali se reuniram.

Em que o Concílio Vaticano II difere dos Concílios anteriores?


O Concílio Vaticano II declarou não querer ser mais que um “Concílio Pastoral”, que não define as questões de Fé, mas dá diretivas pastorais para a vida da Igreja. Renunciou à definição de dogmas e assim, à infalibilidade que pertence a um Concílio. Seus documentos não são, portanto, infalíveis.

Quais são os objetos ordinários de um Concílio?


Na sua carta de convocação do primeiro Concílio do Vaticano, Pio IX indica que os Concílios Gerais foram convocados, sobretudo “nas épocas de grandes perturbações, quando calamidades de todo gênero se batiam sobre a Igreja e sobre os povos”. Todos os Concílios Ecumênicos do passado foram convocados para vir ao encalço de uma heresia (como foi o caso dos sete primeiros), ou para corrigir um mal então dominante (simonia, cisma, corrupção do clero, etc). Pio IX resume assim os principais fins de um Concílio: 

“Decidir com prudência e sabedoria, tudo o que poderia contribuir para definir os dogmas da Fé; para condenar os erros que se espalham insidiosamente; para defender, colocar à luz, explicitar a Doutrina Católica; para conservar e reorganizar a disciplina eclesiástica; para corrigir os modos corrompidos da população.” (Bula de Convocação para o Concílio Vaticano I. AAS, 1868, vol. IV, p.5.)

Nunca houve, então, outro Concílio “pastoral” antes do Vaticano II?

Todos os Concílios da Igreja foram pastorais. Mas o foram definindo os dogmas; desmascarando os erros; defendendo a Doutrina Católica; e lutando contra as desordens disciplinares e morais. A originalidade do Vaticano II foi a de querer ser “pastoral” de uma maneira nova, recusando-se a definir dogmas, a condenar erros, e mesmo a apresentar a Doutrina Católica de modo defensivo.

O Vaticano II não promulgou documentos dogmáticos?

O Vaticano II promulgou dezesseis textos: nove decretos, três declarações e quatro constituições. Dentre estas, duas são ditas “Constituições Dogmáticas”: Lumen Gentium (sobre a Igreja) e Dei Verbum (sobre a Revelação). Isso não significa que tenham proclamado dogmas ou que sejam infalíveis, mas apenas que tratam de uma matéria referente ao dogma. O Vaticano II se recusou a definir o que quer que seja de modo infalível; Paulo VI o sublinhou explicitamente em 12 de janeiro de 1966, algumas semanas após seu encerramento: 

“Tendo em vista o caráter pastoral do Concílio, este evitou proclamar de modo extraordinário dogmas dotados da nota da infalibilidade.”

A “pastoralidade” do Vaticano II caracteriza-se pela adaptação da Igreja ao nosso tempo?

Todos os Concílios adaptaram a Igreja ao seu tempo. Mas o fizeram anatematizando os erros do dia; punindo os desvios morais ou disciplinares da época; armando a Igreja contra seus inimigos. A adaptação não visava a se conformar com o século, mas a melhor resistir-lhe. Não se tratava de agradar ao mundo, mas de confrontar e de o vencer, para agradar a Deus. João XXIII e Paulo VI procuraram, ao contrário, tornar a Igreja Católica sedutora para o homem moderno.

João XXIII e Paulo VI exprimiram essa intenção?

João XXIII declarou, em 14 de fevereiro de 1960: 

“O fim primeiro e imediato do Concílio é o de apresentar ao mundo a Igreja de Deus, no seu perpétuo vigor de vida e de Verdade, e com sua legislação adaptada às circunstancias presentes, de modo a ser sempre mais conforme à sua divina missão e estar sempre mais pronta para as necessidades de hoje e de amanhã. Em seguida, se os irmãos que se separaram e que ainda estão divididos entre si virem se concretizar o comum desejo de unidade, poderemos lhes dizer então, com uma viva emoção: é a vossa casa; a casa daqueles de trazem o sinal de Cristo.” (João XXIII, discurso ao Conselho Geral da Ação Católica Italiana, em 14 de fevereiro de 1960).
O Cardeal Montini, futuro Paulo VI, declarava, em abril de 1962: 
“A Igreja se propõe, pelo próximo Concílio, a entrar em contato com o mundo (...) Ela se esforçará para ser (...) amável em sua linguagem e na sua maneira de ser.”
E, durante o Concílio, Paulo VI afirmava, em sua encíclica Ecclesiam Suam: 
“A Igreja poderia se propor a realçar os males que podem se encontrar no mundo, a pronunciar anátemas e suscitar cruzadas contra eles (...); parecem nos, ao contrário, que a relação da Igreja com o mundo (...) pode se exprimir melhor sob a forma de um diálogo” (§80).

O Vaticano II se quis, desde o início, portanto, como um Concílio de abertura e diálogo?

De fato, os membros da Comissão Preparatória estabelecida por João XXIII, pensavam dever organizar um Concílio normal. Tiveram um enorme trabalho para esboçar esquemas que pudessem servir de base aos debates conciliares. Mas, durante esse tempo, o Secretariado para Unidade dos Cristãos igualmente estabelecido por João XXIII (em junho de 1960), trabalhava em outro sentido. Finalmente, a verdadeira intenção de João XXIII prevaleceu: no início do Concílio, livraram se dos esquemas preparatórios, julgados demasiado “doutrinais”, e o Concílio se comprometeu com a via preparada pelo Secretariado de Unidade.

Como o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio?
Sobre a presidência do Cardeal Bea, o Secretariado para a Unidade preparou o Concílio perguntando aos católicos o que esperavam da Igreja. Estabeleceu contatos com os ortodoxos, os protestantes, os judeus, os comunistas e os maçons, e comprometeu-se mesmo a que alguns de seus desiderata fossem satisfeitos.

Quais foram as exigências dos ortodoxos e dos comunistas?


Para contar com a presença de observadores ortodoxos no Concílio, João XXIII se comprometeu à não condenação do comunismo no Concílio. Monsenhor Roche, amigo e confidente do Cardeal Tisserant, testemunha: 

“O Cardeal Tisserant recebeu ordens formais tanto para negociar o acordo como para supervisionar sua exata execução durante o Concílio. Foi assim que, a cada vez queria abordar a questão do comunismo, o Cardeal, de sua mesa do Conselho da Presidência, intervinha”. (Itinéraires 285, p.157.)

Quais foram os pedidos dos judeus?

No número 1001 da Tribune Juive (1987), Lazare Landau conta: 

“Numa noite brumosa e glacial de inverno de 1962-63, atendi a um convite extraordinário no Centro Comunitário da Paz, em Estrasburgo. Os dirigentes judeus recebiam, em segredo, no subsolo, um enviado do papa. Na saída do Shabat, éramos uma dezena para acolher um dominicano de vestimenta branca, o reverendo padre Yves Congar, encarregado pelo Cardeal Bea, em nome de João XXIII, de nos perguntar, no início do Concílio, o que esperávamos da Igreja Católica (...)”. 
“Os judeus, mantidos há vinte séculos à margem da sociedade cristã, frequentemente tratados como subalternos, inimigos e deicidas, pediam sua completa reabilitação. Provindos, em linhagem direta, do tronco abrâmico, de onde saiu o Cristianismo, pediam para serem considerados como irmãos, parceiros de igual dignidade, da Igreja Cristã (...).” 
“O mensageiro branco – despojado de qualquer símbolo ou ornamento – retornou a Roma, portador das inumeráveis solicitações que reforçavam as nossas. Depois de debates difíceis (...), o Concílio atendeu as nossas expectativas. A declaração Nostra Aetate n° 4 constituiu – Padre Congar e três redatores do texto me confirmaram – uma verdadeira revolução na doutrina na Igreja sobre os judeus (...)”. 
“Homilias e catecismos mudariam em poucos anos (...). Desde a visita secreta do Padre Congar, num lugar escondido da sinagoga, durante uma noite muito fria de inverno, a doutrina da Igreja tinha conhecido uma total mutação.”

Quais foram os pedidos dos protestantes e dos maçons?

Em setembro de 1961, o Cardeal Bea encontrou, secretamente, em Milão, o Pastor Willem A. Visser’t Hooft, secretário-geral do Conselho Ecumênico de Igrejas (organismo de origem protestante, de tendência maçônica). A liberdade religiosa foi um dos temas mais importantes do encontro. Mas tarde, em 22 de julho de 1965, na véspera da última sessão conciliar, o mesmo Conselho Ecumênico de Igrejas publicou a lista de suas sete exigências fundamentais em matéria de liberdade religiosa. Todas foram satisfeitas pelo Concílio no documento Dignitatis Humanae.

Que conclusões se pode tirar dessa política de abertura levada a cabo pelo Concílio Vaticano II?

Percebe-se claramente que o Vaticano II não foi um Concílio como os demais. Os textos que promulgou, fruto de um “diálogo” com o mundo, são mais textos diplomáticos ou “publicitários” (destinados a dar uma boa imagem a Igreja) do que textos magisteriais (ensinando com autoridade e precisão Verdades de Fé). Nenhum dos textos conciliares é, de si, infalível.

Qual foi a influencia desse Concílio na Crise da Igreja?

As forças liberais e modernistas, que já minavam a Igreja, conseguiram colocar as mãos sobre o Concílio Vaticano II. Pode-se então dizer, que o Vaticano II foi a faísca que deflagrou uma crise que se preparava já de longa data na Igreja.

A quando podem-se remontar as origens dessa crise?

São Pio X já constatava na encíclica Pascendi, que o modernismo não era um inimigo exterior à Igreja, mas que havia penetrado no interior, apesar de seus adeptos ainda esconderem suas verdadeiras intenções.

O Papa São Pio X não combateu vigorosamente esses modernistas?

São Pio X combateu o modernismo energicamente. Seus sucessores até Pio XII fizeram o mesmo, com mais ou menos vigor; mas não conseguiram verdadeiramente vencê-los. A Encíclica Humani Generis, de Pio XII, condenando o que se chamou “Nova Teologia” (1950), foi aceita exteriormente; mas, nas realidade foi desprezada por muitos. Continuaram a se interessar nas teses condenadas e, nas casas de formação, encorajavam se os futuros padres a fazer o mesmo.

Pode-se dizer que o Vaticano II foi uma revolução na Igreja?

Que o Concílio foi uma revolução na Igreja, alguns de seus defensores clamam-no, eles mesmos. Assim, o Cardeal Suenens fez um paralelo entre o Concílio e a Revolução Francesa, dizendo que o Vaticano II havia sido o 1789 na Igreja. O Padre Yves Congar, teólogo conciliar, comparou o Concílio à Revolução bolchevique: “A Igreja fez pacificamente sua Revolução de Outubro.” (Yves Congar, O.P. Le Concile au jour Le jour. Deuxième session, Paris, 1964, p.215)

Como os liberais colocaram as mãos sobre o Concílio? 

Graças ao apoio de João XXIII e de Paulo VI, as forças liberais e neo-modernistas introduziram nos textos do Concílio, um grande número de ideias. Antes do Concílio, a Comissão Preparatória havia preparado com cuidado, esquemas que eram o eco da Fé da Igreja. É sobre esses esquemas que a discussão e os votos deveriam ter sido feitos, mas eles foram rejeitados na primeira sessão do Concílio e substituídos por novos esquemas preparados pelos liberais.

Não houve no Concílio defensores da Doutrina tradicional?

Houve no Concílio um grupo de mais ou menos de 250 a 270 bispos decididos a defender a Tradição da Igreja. Acabaram por formar o Coetus Internatinalis Patrum. Mas contra ele, estava já constituído e perfeitamente organizado, um grupo de Cardeais e Bispos liberais, que se chamou Aliança do Reno.

De onde vem esse nome, Aliança do Reno?

O nome Aliança do Reno vem do fato de os dirigentes desse grupo liberal eram, quase todos, bispos de dioceses às margens do Rio Reno. A cada dia esse grupo inundou o Concílio com folhas datilografadas, nas quais se diziam aos bispos em que sentido deviam votar. É por isso que um jornalista, o padre Ralph Wiltgen, pôde intitular O Reno se Lança no Tibre, seu livro que contava a história do Concílio.

Os inovadores eram majoritários?

Como toda revolução, o Vaticano II não foi conduzido pela maioria, mas por uma minoria bem ativa e organizada. A maioria dos bispos estava indecisa e pronta para seguir os conservadores. Mas, quando viram que os dirigentes da Aliança do Reno eram amigos pessoais do papa e que alguns dentre estes (os Cardeais Dopfner, Lecaro e Suenens) tinham até sido nomeados moderadores do Concílio, eles os seguiram.

Os textos do Vaticano II, portanto, não são representativos do que pensava a maioria dos bispos na abertura do Concílio?

Um teólogo da ala progressista, Hans Kung, exprimiu um dia, sua alegria de que um sonho de uma pequena minoria se havia realizado no Concílio: 

“Nenhum daqueles que vieram aqui para o Concílio voltará para sua casa igual ao que era antes. Pessoalmente nunca teria esperado que os bispos falassem de modo tão ousado e tão explicito na aula conciliar.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 65)

Quem é esse teólogo Hans Kung?

Hans Kung manifestou, desde o Concílio, a que espírito se filia. Além da infalibilidade pontifícia e da Divindade de Cristo, esse eclesiástico nega a maior parte dos dogmas cristãos de tal maneira que mesmo a Roma conciliar teve que lhe retirar a autorização de lecionar.

Outros teólogos hereges exerceram influência no Vaticano II?

O jesuíta Karl Rahner (1904-1984), mesmo sendo mais prudente e menos explicito, espalhou teses análogas em suas obras. O Santo Ofício, desde 1949, impôs-lhe silencio sobre certas questões. Teve, no entanto, sobre o Concílio Vaticano II uma influência imensa; Ralph Wiltgen chega a dizer que foi o teólogo mais influente do Concílio: 

“A posição dos bispos de língua alemã sendo regularmente adotada pela Aliança europeia (Aliança do Reno), e a posição da Aliança sendo, por sua vez, a mais frequentemente adotada pelo Concílio, bastava que um só teólogo fizesse suas visões serem adotadas pelos bispos de língua alemã para que o Concílio as fizessem suas. Ora, um tal teólogo existia: era o padre Karl Rahner.” (O Reno se Lança no Tibre, pag. 85)

Há outros testemunhos sobre a influência de Rahner no Concílio?

O padre Congar conta: 

“O clima virou: Rahner dixit, ergo verum est [Rahner disse, então é verdade]. Dou um exemplo. A Comissão Doutrinal era formada pelos bispos, cada um tendo a seu lado seu próprio perito, mas também por alguns Superiores Gerais (como o dos Dominicanos ou dos Carmelitas). Ora, sobre a mesa da Comissão havia dois microfones; mas Rahner praticamente havia tomado um somente para si. Rahner era um pouco intrometido e muito frequentemente o Cardeal de Viena, Franz Konig, cujo perito era Rahner, virava-se em sua direção e dizia lhe para que falasse: Rahner, quid? Naturalmente, Rahner intervinha (...)”. (Yves Congar, em Trinta Dias, edição francesa, n° 3, 1993, pag.26)

Qual era o pensamento de Karl Rahner?

Karl Rahner era um revoltado contra o ensinamento tradicional da Igreja que, para ele, era só “monolitismo” e “teologia de escola.” Uma carta que escreveu em 22 de fevereiro de 1962, por ocasião da tradução italiana de seuPequeno Dicionário Teológico esclarece-nos sobre seus sentimentos em relação ao Magistério da Igreja: 

“(...) Uma tradução italiana é claramente um problema especial, em razão da presença, em Roma, de lideres e guardiães da ortodoxia. Por outro lado, estou cada vez mais fortificado em minhas posições. Também se poderia dizer que esse pequeno léxico está redigido de tal modo que essas pessoas não compreendam nada e não vejam, portanto o que está dito contra sua estreiteza.” (Herbert Vorgrimler.Karl Rahner verstehen, Friburgo, Herder, 1995, pag.175)

Karl Rahner manifestou, durante o Concílio, sua revolta contra a Tradição e o Magistério da Igreja?

Durante o Concílio, o Cardeal Ottaviani, Prefeito do Santo Ofício, exprimiu um dia em seu discurso sua inquietação quanto a algumas inovações. Falava sem texto, por estar quase cego e ultrapassou seu tempo para falar. Então, o microfone simplesmente lhe foi cortado. Rahner comentou o acontecimento em uma carta escrita a Vorgrimler, em 5 de novembro de 1962: 

“Você já deve ter sabido que Alfrink, de novo, simplesmente cortou a palavra a Ottaviani, por que ele falava por muito tempo. Começou-se a aplaudir (o que não é habitual). Moral: A alegria sádica é a alegria mais pura.” (Deutsche Tagespost, 10 de outubro de 1992).

Encontra-se na correspondência de Karl Rahner, outros elementos sobre seus sentimentos sobre o Concílio?

A publicação, em 1994, da correspondência trocada entre o padre Karl Rahner e a poetisa austríaca Luise Rinser(1911-2002) fez estourar o escândalo: no momento mesmo em que mandava chover e fazer bom tempo no Concílio, Karl Rahner estava em correspondência amorosa com essa mulher, escrevendo-lhe, em sua paixão, até três cartas por dia (276 somente no ano de 1964).

Outros maus teólogos influenciaram o Vaticano II?

Pode-se citar, entre outros, os Padres Congar e De Lubac, já apresentados anteriormente, o padre Schillebeeckx, o padre John Courtney-Murray etc.

Qual foi a influencia do padre Congar no Concílio?


Monsenhor Lefebvre conta:
Monsenhor Lefebvre no Vaticano II
“No início do Vaticano II, eu ia às as reuniões [dos bispos franceses] em Saint Louis-des-Français. Mas ficava estupefato de ver como aquilo acontecia. Os bispos se comportavam literalmente como garotinhos diante dos Congar e outros peritos que gritavam em torno. O padre Congar subia à mesa da presidência e, sem o menor pudor, dizia: ‘Monsenhor Fulano, o senhor fará tal intervenção sobre tal assunto. Não tenha nenhuma preocupação. Nós lhe prepararemos o texto e o senhor só terá que ler.’ Não podia crer no que meus olhos viam, nem no que meus ouvidos ouviam! E parei de ir a essas reuniões (...)”(Monsenhor Marcel Lefebvre, Fideliter n°59, pag,53).

Há outros testemunhos sobre a influencia do padre Congar?

Monsenhor Desmazières, Bispo-auxiliar de Bordeaux, conta: 

“(...) De tarde os trabalhos continuavam. Eu ia ao meu dirigido pelo padre Congar, sobre a Escritura e a Tradição. Éramos uma dúzia. A nós cabia prever as intervenções a serem feitas no dia seguinte (...). pediram-me para tomar a segunda. Não me recusei, mas com a condição do padre Congar preparasse meu texto. Estava de acordo. Ele mo passará amanhã no ônibus (...) Tomei conhecimento do texto no trajeto; não estava decidido mudar o que quer que fosse. Desembarcando em São Pedro, inscrevi-me para falar: era o vigésimo primeiro (...)” (Monsenhor Desmazières. L’Aquitaine, semaine religieuse de Bordeaux, dezembro de 1962, pag.580).

O que disso dizia o padre Congar?

O padre Congar, normamente, minimizava sua influencia no Concílio. No entanto, assim resumiu sua ação: 

“A preparação do Concílio havia estado sob a dominação dos homens da Cúria e do Santo Ofício (...) Tudo consistiu praticamente, em os colocar em minoria.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.140). Era para ele uma vitória. Dez anos antes, punido por seus Superiores, anotava em seu diário pessoal as seguintes resoluções: “Continuar ao máximo a escrever no mesmo sentido, utilizando todas as chances de liberdade. Aí está, sobretudo, meu combate. Eu sei (e ‘eles’ sabem!) que, em maior ou menor escala, tudo o que digo e escrevo é a negação do sistema. Sim, ai está meu verdadeiro combate: em meu trabalho teológico, histórico, eclesiológico e pastoral. O curso que eu componho nesse momento, de Ecclesia, exatamente como não se tratasse de nada, uma verdadeira resposta; é minha verdadeira dinamite sobre a cadeira dos escribas.” (Yves Congar O.P., notas manuscritas de fevereiro de 1954, citadas por François Leprieur O.P. Quand Rome condamne, Paris, Plont/Cerf, 1989, pag.259). 
Depois do Concílio, declarou: 
“O Concílio liquidou o que eu chamava incondicionalismo do sistema. Entendendo por sistema todo um conjunto muito coerente de ideias comunicadas pelo ensinamento das Universidades romanas, codificas pelo Direito Canônico, protegidas por uma supervisão escrita e bem eficaz sob Pio XII, com resumos, apelos à ordem, submissão dos escritos a censuras romanas e etc. Pelo fato do Concílio, o sistema foi desintegrado.” (Yves Congar O.P., em Une Vie pour la Verité, Jean Puyo interrege Le père Congar, Paris, Centurion, 1975, pag.220).

Quem é o padre Courtney-Murray?

O padre John Courtney-Murray, jesuíta Americano (1904-1967), havia sido condenado em 1955 pelo Santo Ofício, por causa do seu estudo The Problem of Religions Freedom (O Problema da Liberdade Religiosa). Foi, no entanto convidado, como perito, ao Concílio Vaticano II, a partir de 1963. Durante os debates sobre a liberdade religiosa propunha-se aos bispos que redigissem suas intervenções, e assim ele exerceu uma influencia considerável. No fim de sua vida, tentou demonstrar que o ensinamento da Igreja sobre a contracepção podia evoluir, como havia evoluído o ensinamento sobre a liberdade religiosa.

O que se pode concluir disso tudo?

Que homens tais como Kung, Rahner, Congar, Lubac, Courtney-Murray etc., tenham exercido uma influencia sobre o Concílio não advoga em seu favor, nem a favor de suas reformas. Infelizmente, algumas declarações do Papa João Paulo II também não lhe trazem vantagem. Tal como está, que fez em 1963 (quando era um simples bispo):

“Jamais um Concílio conheceu tamanha preparação, jamais se sondou de maneira de maneira tão ampla a opinião católica. Não somente os bispos, as universidades católicas e os superiores gerais das congregações exprimiram suas opiniões sobre os problemas conciliares; mas também uma grande porcentagem de católicos leigos e mesmo de não católicos. Teólogos tão eminentes quanto Henri de Lubac, Jean Daniélou, Yves Congar, Hans Kung, R.Lombarde, Karl Rahner e outros tiveram um papel extraordinário nesses trabalhos preparatórios.” (Citado por M.Malinski, Mon ami Karol Wojtyla, Paris,Le Centurion, 1980, p.189).

Todos os textos do Vaticano II devem ser rejeitados?

Pode-se dividir os textos do Concílio Vaticano II em três grupos:

1)    Alguns poderiam ser aceitos pois estão conformes à Doutrina Católica, como, por exemplo, o Decreto sobre a Formação dos Padre;
2)    Outros são equívocos, isto é, podem ser compreendidos corretamente, mas também podem ser interpretados em sentido errôneo;
3)    Alguns, em fim, não podem ser compreendidos no sentido ortodoxo; na sua atual formulação, não podem ser aceitos. É o caso da Declaração sobre a Liberdade Religiosa.

Os textos ambíguos podem ser aceitos se forem – segundo a expressão de Monsenhor Lefebvre – interpretados à luz da Tradição. Os textos do terceiro grupo não podem ser aceitos antes de terem sido retificados.

De onde vem o caráter ambíguo de alguns textos do Vaticano II?

Os equívocos introduzidos voluntariamente nos textos conciliares para enganar os padres conservadores. Enchia-se-lhes de ilusões, insistindo sobre o fato de que o texto não queria, no fundo, dizer nada diferente do que a Igreja sempre havia ensinado. Mas, na sequência, foi possível apoiar-se sobre estas passagens para defender teses heterodoxas.

Há provas de que essas ambiguidades foram introduzidas voluntariamente?

Karl Rahner e Herbert Vorgrimler confirmam isso quando escrevem, por exemplo, que se “deixou aberto um certo numero de questões teológicas importantes, sobre as quais não se chegaria a acordo, escolhendo-se formulações que poderiam no Concílio ser interpretadas diferentemente por grupos e tendências teológicas particulares.”(K.Rahner e H.Vorgrimler, Kleines Konzilskompendium. Samtliche Texte dês Zweten Vatikanumes, Fribourg, Herder, 1986, pag.21)

Como se podia se justificar uma tal imprecisão nos textos conciliares?

Essa ambiguidade deliberada era explicada pelo fato de o Concílio Vaticano II querer ser apenas um Concílio “Pastoral”, por isso não seria mais necessário que se exprimisse com toda a clareza teológica requerida para um Concílio dogmático.

Pode-se se citar exemplos dessas ambiguidades calculadas?

Um exemplo dessa ambiguidade é dado pela famosa expressão “subsistit in”, introduzida na Constituição DogmáticaLumen Gentium sobre a Igreja (I,8). Declarou-se ali que a Igreja de Cristo “subsiste na” Igreja Católica.

Qual é o ensinamento tradicional sobre esse assunto?

O ensinamento tradicional, diz, expressamente, que a Igreja de Cristo é a Igreja Católica. Essa palavra “est” se acha ainda nos primeiros projetos dessa Constituição sobre a Igreja. A palavra foi, em seguida, substituída pela expressão “subsistit in”.  É evidente que essa mudança não foi feita sem motivo.

Por que a palavra “est” é aqui tão importante?

A Igreja Católica não é somente uma certa realização da Igreja de Cristo: Ela é a Igreja de Cristo. Isso significa que há uma identidade absoluta entre a Igreja fundada por Cristo e a Igreja Católica. As outras comunidades eclesiais não pertencem de modo nenhum à Igreja de Cristo. Ora, a expressão “subsistit in” introduz uma ambiguidade justamente nesse ponto.

A Congregação para a Doutrina da Fé não deu a interpretação correta desse “subsistit in” nos seus documentos de 2000 (Dominus Jesus) e de julho de 2007?

A Congregação para a Doutrina da Fé rejeitou a interpretação modernista mais extremista da expressão: aquela segundo a qual a Igreja Católica seria apenas uma realização, dentre outras, da Igreja de Cristo. A formula “subsistit in” permite com efeito, sustentar que haveria, fora da Igreja Católica, “verdadeiras realidades eclesiais”.

Sabe-se quem está na origem dessa expressão”subsisitit in”?

O pastor protestante Wilhelm Schmidt reivindicou a paternidade dessa nova expressão. Eis seu testemunho: 

“Era, então, pastor da igreja da Santa Cruz, em Bremen-Horn, e durante a terceira e quarta sessões, observador no Concílio, como representante da Fraternidade Evangélica Michael, a convite do Bea. Propus, por escrito, a formulação “subsistit in” àquele que era, então, o conselheiro teológico do Cardeal Frings: Joseph Ratzinger, que a transmitiu ao Cardeal.” (Pastor Wilhelm Schimidt [não confundir etnólogo homônimo], carta de 3 de abril de 2000 ao autor deste Catecismo. O Pastor Schimidt diz em sua carta: ‘Nada tenho a objetar à publicação desta informação’.”

O Vaticano II não foi infalível enquanto órgão do Magistério Ordinário?


Alguns pretendem que mesmo que o Vaticano II não tenha produzido atos de Magistério Ordinário, a infalibilidade pertencer-lhe-ia enquanto órgão do Magistério Ordinário Universal, por que quase todos os bispos do mundo nele se fizeram presentes. Alem disso – dizem – o ecumenismo e a liberdade religiosa são ensinado hoje pelos bispos do mundo inteiro, o que equivaleria ao exercício do Magistério Ordinário Universal, que é infalível. Porém essa argumentação está viciada. O Vaticano II, Concílio “Pastoral”, recusou-se a comprometer sua autoridade para definir o que quer que fosse; não impôs a liberdade religiosa e o ecumenismo como Verdades de Fé, por isso encapando ao Magistério Extraordinário. Mas, de uma cajadada só, escapou também do Magistério Ordinário Infalível. Pois não pode haver infalibilidade se os bispos não certificam, com autoridade, que o ensinamento que dispensam pertencem ao Depósito de Fé (ou é-lhe necessariamente ligado) e que deve ser dito como imutável e obrigatório.

Alguns ensinamentos do Vaticano II não são apresentados como “fundados na Revelação”, “conformes à Revelação”, “transmitidos pela Igreja” ou “decretados no Espírito Santo”?

Essas são formas piedosas mas muito insuficientes para assegurar a infalibilidade. Seria preciso impor, com autoridade, esse ensinamento como ligado necessariamente à Revelação Divina, imutável, obrigatório. Ora, a liberdade religiosa e o ecumenismo são novidades contrárias ao ensinamento anterior ao da Igreja. De fato, os bispos não os impõe de forma firme e precisa como Verdades Imutáveis. Não comprometeram formalmente, para os propugnar, sua autoridade de guardiãos do Depósito revelado aos Apóstolos; porém as propuseram de modo liberal (“pastora”) como fruto de um diálogo com o mundo modernos e como reflexo do que criam os cristãos de hoje. Isso basta para excluir a infalibilidade. (Ver sobre esse assunto os argumentos desenvolvidos pelo padre Calderon em A Candeia Debaixo do Alqueire, Rio de Janeiro, Ed. Sétimo Selo, 2009).

Não se pode, pois, invocar o Magistério Ordinário Universal , no que concerne ao ecumenismo e à  liberdade religiosa?


Não se pode invocar o Magistério Ordinário Universal em favor do ecumenismo e da liberdade religiosa; porém, se poderia, a bom direito, afirmar que são as condenações trazidas no curso dos dois últimos séculos contra a liberdade religiosa e o ecumenismo que são infalíveis em razão do Magistério Ordinário.

As autoridades atuais da Igreja reconhecem a não infalibilidade do Vaticano II?

O Vaticano II não foi infalível, foi o que afirmou expressamente o Cardeal Ratzinger em 1988, dizendo: 

“A verdade é que o Concílio ele mesmo, não definiu nenhum dogma e procurou se situar num nível mais modesto, simplesmente como um Concílio pastoral. Apesar disso, numerosos são aqueles que o interpretam como se se tratasse de um ‘superdogma’ que sozinho tem a importância.” (Alocução do Cardeal Ratzinger diante da Conferencia Episcopal Chilena, em 13 de julho de 1988 [Itinéraires 330, fevereiro, 1989, pag.4).

Por que as autoridades atuais se apegam tanto ao Vaticano II, já que reconhecem que ele não é infalível?
 

De fato, o Vaticano II é, desde a origem, objeto de um jogo desonesto. Durante o Concílio, insistiu-se sobre seu caráter pastoral para evitar se exprimir com precisão teológica; mas, depois, deseja-se lhe dar uma autoridade igual ou mesmo superior àquela dos Concílios anteriores. Esse jogo desonesto foi denunciado por um dos participantes do Concílio, Monsenhor Lefebvre, a partir de 1976: 
“É indispensável desmitificar esse Concílio que eles desejam pastoral em razão de seu horror instintivo ao dogma, e para facilitar a introdução oficial das ideias liberais dentro de um texto da Igreja. Contudo, operação terminada, dogmatizam o Concílio, comparam-no ao de Nicéia, pretendem-no semelhante aos outros, senão superior!” (Mons. Marcel Lefebvre, J’acuse Le Concile!, Matigny (Suiça), Editions Saint-Gabriel, 1976, pag.9)